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Por que a Psicoterapia é necessária?

Foto: Freepik

Por: Marcela Stohler

14/09/2026 - 10:09 - Atualizada em: 14/09/2026 - 10:45

Acompanhamos atualmente o crescente uso de remédios para amenizar a angústia e o sofrimento humano. Registros do Conselho Federal de Farmácia (CFF) indicam que a comercialização de antidepressivos e estabilizadores de humor subiu cerca de 58% entre 2017 e 2021, mantendo a alta nos anos seguintes. É bem provável que você conheça alguém que faça uso dessas medicações no seu círculo íntimo, entre amigos e familiares.

Quadros marcados com comprometimento social expressivo existem, e a medicação pode ser necessária e de grande ajuda. Entretanto, me parece um grande problema o atual olhar reducionista para o sofrimento humano, quando tentamos aplacar toda e qualquer tristeza ou angústia com antidepressivos e/ou ansiolíticos.

No meu trabalho como psicóloga clínica, recebo pessoas que anseiam por alívio de suas dores emocionais. Muitas vezes testemunho certo espanto quando expresso curiosidade sobre o sintoma. O sintoma, é a melhor maneira que um indivíduo encontrou para dar conta da vida. De forma bem simples, roer as unhas (exemplo de sintoma) é a maneira possível para suportar seu cotidiano.

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Se a medicação entra para suprimir esse comportamento e não há nenhuma reflexão, perdemos o que ele significa e principalmente aquilo que busca aplacar. Que dor aquele movimento esconde? O que existe na história daquela pessoa que torna ele necessário? Perdemos informações valiosas sobre aquilo que dói. Muitas vezes essa é a trajetória de pessoas que fazem uso de remédios psiquiátricos por toda a vida. Diminuem os comportamentos indesejados, mas a origem permanece. Convido o leitor a se perguntar quantas pessoas do seu círculo de convivência fazem uso de remédios para dormir, para ansiedade, para não comer em excesso, para tristeza, sem data para terminar; e o que é pior, sem muitas vezes, sanar seus sintomas de forma satisfatória.

Nesse contexto, destaco a importância da psicoterapia. Todos os estudos recentes sobre o sofrimento humano destacam sua importância. Através dela, o sujeito descobre maneiras mais adaptativas, melhores, de lidar com suas angústias. Esse processo auxilia na sua autonomia, ou seja, consigo através do conhecimento da minha história, das minhas escolhas, seguir na direção de uma melhora, na direção de um caminho que faça mais sentido.

Vale lembrar que não há vida sem sofrimento. Ele é inerente à condição de ser humano no mundo. Ainda assim, a vida pode ser boa e a psicoterapia pode ajudar. O uso de medicação de forma isolada dificilmente vai cuidar das dores da alma de forma efetiva. A psicoterapia pode ser o diferencial nessa caminhada, vale a tentativa.

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Marcela Stohler

Psicóloga e mestre em Psicologia pela UFRJ. Especialista em Gestalt Terapia pelo Instituto de Gestalt Terapia do Rio de Janeiro. Atendimento crianças, adolescentes e adultos. Instagram: @marcelastohlerpsi