O caso envolvendo a família do menino de Joinville, Jonatas Openkoski, 2 anos, pode terminar de uma forma mais conturbada. Depois de serem indiciados pela Polícia Civil por crimes de estelionato e apropriação indébita dos recursos arrecadados pela Campanha AME Jonatas, Renato Henrique Openkoski e Aline da Cunha Souza podem perder a guarda do pequeno, que tem AME (Atrofia Muscular Espinhal).

Isto porque, mais uma vez, o casal deixou de pagar pelo aluguel da casa em que vive, na rua Major Navarro Lins, no bairro Anita Garibaldi, região Central de Joinville. As dívidas referentes ao aluguel de maio, junho e julho e parcial de agosto ultrapassam R$ 8 mil.

No último dia 20, o advogado que representa a proprietária do imóvel, Francisco Oscar Magalhães, entrou na Justiça pedindo que a família faça o pagamento devido. Se não cumprirem com suas responsabilidades, os pais e avós de Jonatas podem ser despejados.

Família Openkoski vive nesta casa confortável na região Central de Joinville | Foto Google Street View

Situação recorrente

Em junho, o Juiz da vara da infância e juventude do Fórum de Joinville, Márcio Renê Rocha, já tinha se manifestado sobre a inadimplência do aluguel. É Rocha quem pediu o bloqueio do que sobrou dos R$ 4 milhões arrecadados na campanha AME Jonatas, cerca de R$ 2 milhões, em 16 de janeiro. Desde então, os valores que para a Justiça pertence à criança, tem sido liberados apenas mediante a notas fiscais eu comprovem o uso no tratamento de saúde do menino.

Para o magistrado a despesa com o aluguel da casa não pode ser quitada com o dinheiro da campanha, mas sim em decorrência do trabalho dos pais do menino. Naquela ocasião, depois de vários apelos dos advogados de Renato e Aline, o juiz fez a liberação dos recursos para pagar o aluguel atrasado referente ao período de janeiro a maio.

Rocha alertou que, dali por diante, isso não iria mais se repetir e o não pagamento do aluguel pode gerar uma eventual ordem de despejo, o que culminaria na perda da guarda da criança, caso a família fique desalojada.

Casal é investigado por suspeitas de desviar recursos arrecadados pela campanha AME Jonatas | Foto Divulgação Arquivo

Proprietária solidária ao menino

Nesta sexta-feira (3), o advogado que representa a dona do imóvel em que moram Jonatas, os pais e avós, destacou que a proprietária é sensível às necessidades especiais do garoto. Entretanto, também precisa do dinheiro do aluguel, cerca de R$ 2 mil ao mês.

Segundo ele, os atrasos têm sido constantes desde janeiro deste ano. “O que queremos é que a família honre com os pagamentos da propriedade e, caso não tenham mais condições de ficar ali, saiam do imóvel. A dona da casa sabe, das necessidades diferenciadas do Jonatas, é solidária a isto, e não vai tomar nenhuma decisão abrupta”, explicou, Francisco Oscar Magalhães.

Ele enfatizou que “por diversas vezes foi tentado o diálogo com o casal, mas eles dizem que a situação está difícil”. “O discurso sempre é o mesmo, de que estão passando por uma situação complicada, mas que irão resolver. Porém o aluguel segue sem ser pago”, finalizou.

O contrato de locação da casa foi assinado em 18 de abril de 2017 e é válido até 2020. A família Openkoski pode contestar o pedido de pagamento, e uma eventual ordem de despejo pode acontecer ainda este ano. Caso a dívida seja paga, a ação é extinta, e o contrato segue em vigor.

Inquérito ainda é analisado pelo MPSC

Nesta sexta-feira (3), o inquérito criminal elaborado pela delegada da Polícia Civil, Geórgia Bastos, chegou a 5ª Promotoria de Justiça do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina). Nele a delegada indicia Renato Henrique Openkoski e Aline da Cunha Souza, e ainda pede a prisão preventiva de Renato, pelos crimes de apropriação indébita e estelionato. O casal ainda poderá ser investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro.

O inquérito deve ser analisado pela promotora Diana Garcia nas próximas. Ela pode pedir mais diligências à Polícia Civil, denunciar Renato e Aline ou arquivar o inquérito. Depois disso, o processo segue ao juiz.

Produtos apreendidos pela Polícia Civil na casa de Renato e Aline mostram como casal levava vida de luxo, segundo a delegada que comanda as investigações | Foto Arquivo Polícia Civil

Por mais uma vez a reportagem da Rede OCP News tentou contato com Renato e Aline, mas os telefones do casal não atendem. Também procuramos o escritório de advocacia de Balneário Camboriú que representa o casal, mas fomos informados de que a advogada que cuida do caso não vai se manifestar por enquanto.

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