Foto Reprodução/Redes Sociais
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Em 2018, foram registradas 42 mortes qualificadas por feminicídio, crime de ódio contra o gênero feminino, em Santa Catarina. Nesse universo, estão dois crimes de grande repercussão no Estado e que envolvem mulheres da região.

No dia em que se comemora o 8 de março e as conquistas das mulheres, casos assim causam comoção e acendem o alerta para a ainda necessária batalha contra a violência.

 

 

As mortes de Andreia Campos de Araújo, 28 anos, e de Andreia Ruon, 44 anos, representam bem esse universo. As investigações sobre os dois casos já terminaram e agora tramitam na Justiça aguardando julgamento.

Andreia Campos Araújo foi morta pelo companheiro, Marcelo Kroin, 38 anos, na madrugada do dia 5 de agosto de 2018, na casa em que o casal vivia na rua Néco Spezia, no bairro Jaraguá Esquerdo, em Jaraguá do Sul. Ela deixou um filho de dez anos.

Marcelo foi detido ainda no dia do crime pela Polícia Militar e continua preso provisoriamente no Presídio Regional de Jaraguá do Sul. Sete meses após o homicídio, o processo tramita em segredo de Justiça.

De acordo com a assessoria da 1ª Vara Criminal da Comarca de Jaraguá do Sul, a fase de instrução já foi finalizada. Sete testemunhas de defesa e acusação, além de Marcelo, foram ouvidas.

Agora, o processo está na fase das alegações finais, quando o advogado que defende Marcelo e o promotor de Justiça incumbido de realizar a acusação, Marcio André Zattar Cota, apresentam suas teses para o juiz.

Depois, o juiz vai realizar a sentença de pronúncia, que pode ou não dar fim ao processo. O juiz decide se há indícios de um crime doloso contra a vida e que o acusado pode ser culpado. O magistrado também decide se o réu vai para o Tribunal do Júri ou será julgado apenas pelo juiz.

Morte por esganadura

De acordo com o laudo do Instituto Geral de Perícias, a causa da morte de Andreia foi asfixia mecânica. A vítima também tinha sinais de espancamento. Réu confesso, Kroin disse que matou a companheira em legítima defesa, após ela partir para cima dele com uma faca.

Depois de matar a companheira, Marcelo enrolou o corpo em um cobertor. Ele colocou o cadáver dentro do veículo e foi até Canoinhas, no Planalto Norte.

Sem saber o que fazer,  voltou para casa. Mensagem rastreadas mostraram que depois do crime Marcelo ainda chamou um amigo para fazer churrasco.

Andreia foi morta por Marcelo, que confessou o crime, no dia 5 de agosto | Foto Reprodução/Facebook

Uma denúncia anônima apontou que um corpo estava dentro de um veículo. Policiais do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT) foram até a residência e encontraram. Eles perguntaram pela mulher, mas Marcelo disse que ela estava dormindo.

Após insistirem, os policiais militares encontraram Andreia enrolada no cobertor. A vítima dizia estar grávida de três meses quando foi assassinada, os exames não confirmaram e nem descartaram a possibilidade.

Autor foragido

Moradora de Guaramirim, Andreia Ruon, foi encontrada morta em um quarto de hotel na rua Nereu Ramos, no bairro Morro Ferraz Garopaba, no dia 16 de dezembro de 2018. O principal suspeito da autoria e namorado da vítima, Reginaldo Anselmo Garcia, está foragido.

A investigação ficou a cargo do delegado titular da Delegacia da Comarca de Garopaba, Walter Figueiredo Loyola.

Durante toda a investigação, a Polícia Civil realizou diversas diligências no intuito de capturar Reginaldo, mas ele não foi encontrado.

Andreia Ruon, de 44 anos, foi encontrada com sinais de violência física e enforcada com um cadarço de tênis em Garopaba | Foto Reprodução/Facebook

Após ouvir testemunhas, Loyola decidiu encerrar o inquérito mesmo sem tomar o depoimento de Reginaldo.

A investigação foi encerrada e remetida ao Fórum da Comarca de Garopaba no fim do mês de janeiro deste ano.  O mandado de prisão de Reginaldo foi expedido pela Justiça.

Enforcada com cadarço

Com sinais de violência física, o corpo de Andreia estava com um cadarço de tênis no pescoço. Segundo o boletim de ocorrência, os hóspedes sentiram algo estranho e ligaram para a polícia. O namorado da vítima foi visto pela última vez no hotel no fim da noite anterior ao crime.

Segundo o delegado, não há uma causa definida para a morte da vítima. Ele destaca que Reginaldo e Andreia tinham um longo histórico de violência doméstica, com boletins de ocorrência por violência, lesão corporal e ameaça.

“Eu não vejo um fator, um motivo determinante [para o homicídio], e sim que eles já não se entendiam como antes. Uma hora acaba ocorrendo uma fatalidade dessas”, comentou Loyola na época.

A vítima morava no Centro de Guaramirim, estava desempregada e deixou um filho de 27 anos e uma filha de 26 anos. Os dois filhos são do relacionamento anterior de Andreia. Ela foi sepultada no Cemitério Municipal de Guaramirim.

 

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