Em meio a toda polêmica que ainda existe sobre o convite e depois o cancelamento da presença da jornalista global Miriam Leitão e de seu esposo, o sociólogo Sérgio Abranches, na Feira do Livro 2019, a Polícia Militar, através do Coronel Amarildo, comandante da 12ª Região de Polícia Militar - que compreende Jaraguá do Sul e toda região - resolveu se manifestar.

A manifestação ocorreu depois que a grande mídia nacional começou a repercutir a informação de que a vinda de Miriam teria sido cancelada por uma "falta de segurança", justamente na cidade que foi considerada "a mais segura do Brasil". As declarações de que a falta de segurança seria um fator decisivo, foram dadas por um dos organizadores da Feira do Livro, responsável pelos convites para os palestrantes, o escritor Carlos Henrique Schroeder.

Após as declarações, o coronel Amarildo se manifestou ao OCP em nota que diz o seguinte:

Tendo sido questionado quanto à falta de segurança para a jornalista Miriam Leitão, caso estivesse em Jaraguá do Sul na Feira do Livro, tenho a esclarecer o seguinte:

  • 1. Em nenhum momento a Polícia Militar foi instada a oferecer segurança particular àquela pessoa, bem como, não tomamos ciência de que houvesse qualquer situação que a colocasse em situação de risco;
  • 2. Caso a situação fosse constatada realmente e pela notoriedade da celebridade poderia ser solicitada escolta pessoal, que tenho certeza que seria muito bem realizada, tanto por nós quanto pela Polícia Civil ou Federal;
  • 3.Em Jaraguá do Sul já recebemos altas autoridades como o presidente FHC, Ministros de Estado e Presidenciáveis, sendo que nunca houve nada que desabonasse a conduta deste povo ordeiro e trabalhador;
  • Sendo assim, não cabe a ninguém questionar a falta de segurança para quem quer que seja, principalmente porque temos e somos a melhor polícia do Brasil, e estamos em Jaraguá do Sul, simplesmente a melhor e mais segura cidade do País.

O que diz a organização

Ainda ontem, a reportagem do OCP procurou a organização através do escritor João Chiodini, que até então preferia não se manifestar. Porém, hoje, após todo o destaque e proporção que a situação tomou, Schroeder, que também é escritor e organizador, conversou com o OCP e afirmou, sim, que a situação é grave e que ameaças foram feitas!

"Logo após o anúncio da vinda da Miriam, nas redes sociais da Rede OCP, começaram a surgir uma centena de comentários negativos avacalhando e chingando a Miriam, e nós começamos a receber ameaças e ligações ameaçando jogar ovos. A coisa ficou tensa, começaram a fazer uma petição online com mais de três mil assinaturas e, com o tom das ameaças, que começamos a receber ficamos assustados. O cancelamento foi, sobretudo, para evitar que ocorresse em Jaraguá do Sul algo que seria impensável, como algum tipo de agressão", afirmou Schroeder ao OCP.

Questionado sobre se teria sido feito algum tipo de boletim de ocorrência, ele negou, dizendo que apesar de ter material suficiente para processar várias pessoas que passaram dos limites da intolerância, a organização prefere não propagar o ódio e aumentar a confusão.

Por fim, foi perguntado sobre a possibilidade da PM ter sido acionada para fazer uma escolta de Miriam na cidade, já que o problema seria a segurança, e ele relatou o seguinte:

"Não acionamos a polícia, não vamos acionar nada, do jeito que as coisas estavam indo a gente nem pensou nisso. Não é só no evento, tem todo o deslocamento na cidade, é muito simplista isso, "Ah! Chama a polícia, a polícia tem que garantir". A gente viu o que ocorreu em Parati, os manifestantes foram cercados pela polícia e defendidos pela polícia, é muito simplista isso. Ela foi ameaçada mesmo, não é brincadeira, é sério, é intolerância", ressaltou.

O cancelamento ocorreu após grandes manifestações nas redes sociais de pessoas em sua grande maioria contrárias a vinda de Miriam. Até a tarde desta quarta (17), o manifesto online organizado para repudiar a vinda já contava com 3.470 assinaturas.

Relembre o desenrolar da história:

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