O feminicídio de Andreia Campos Araújo chocou não apenas no município como no país inteiro e reacendeu o debate sobre a violência contra a mulher no país. E em Jaraguá do Sul, o assassinato da jovem de 28 anos fez as estatísticas de mortes violentas se igualarem ao mesmo período do ano passado.

Se em 2015 a cidade registrou apenas um homicídio, o que fez com que ficasse com o “título” de cidade mais pacífica do país, em 2018, até hoje, são quatro mortes violentas.

Relembre todos os casos

O primeiro homicídio do ano na cidade foi registrado no dia 10 de fevereiro, no bairro Nova Brasília. Paulo Cesar Rodrigues foi assassinado pela companheira, que o esfaqueou na barriga. Apesar de ter sido socorrido, Paulo não resistiu.

O segundo caso foi bastante semelhante e aconteceu no dia 4 de abril, na Vila Baependi. David William de Castro Pereira foi esfaqueado no abdômen pela companheira. David também chegou a ser socorrido, mas morreu a caminho do hospital. Em ambos os casos, as suspeitas alegaram legítima defesa.

Já o terceiro assassinato aconteceu no dia 14 de julho, no bairro Santo Antônio. O comerciante Sergio Antonio Costa foi baleado no rosto.

O quarto assassinato, o feminicídio de Andreia Campos Araújo aconteceu no último domingo (5), foi por traumatismo craniano, aponta o IML (Instituto Médico Legal), embora o laudo ainda não esteja concluído. Apesar disso, o legista já teria afirmado que Andreia possuía inúmeras escoriações, o que indica que, ao contrário do que afirma o suspeito, ela foi espancada.

Segundo delegado, homicídios são ocasionais

Para o delegado regional Adriano Spolaor, porém, esse número não pode se tornar alarmante em um município que tem uma das menores taxas de homicídio do Brasil, que tem uma média de 30 mortes violentas para cada 100 mil habitantes.

Por aqui, a média não chega a 2 até o momento. Além disso, as circunstâncias dos homicídios, destaca Spolaor, precisam ser levados em consideração. Nenhuma das quatro mortes registradas neste ano tem ligação com o tráfico de drogas ou organizações criminosas.

“Neste ano, por exemplo, nenhum deles foi por conta de envolvimento com o tráfico de drogas. Não tem um fator determinante. São homicídios ocasionais e nestes casos não tem como a polícia agir, não existe o fator prevenção, são questões culturais”, ressalta.

Spolaor enfatiza ainda que não se pode criar uma ideia de que Jaraguá do Sul está se tornando violenta devido a esses crimes, afinal, a taxa de homicídios da cidade continua entre as mais baixas do país, além de não existir ligação com outros crimes, como o tráfico de drogas, como acontece em outras cidades.

“São crimes ocasionais de uma cidade grande, normais para uma cidade do porte de Jaraguá do Sul”, diz.

Ele ressalta ainda que a violência, ao contrário, está caindo e cita, especialmente, o número de roubos, crime de grande potencial ofensivo, que apresentou queda de 40% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Isso é fruto de uma ação muito incisiva no tráfico de drogas que acaba incidindo no número de roubos”, afirma.

Os números de homicídio na cidade têm oscilado nos últimos anos. De um em 2015, passou para seis no ano seguinte, sete em 2017 e, neste ano, são quatro até o momento, o que para o delegado regional é bastante natural. Se comparado ao início da década, os números caíram. Em 2012 foram 16 mortes violentas.

Um fator determinante para o baixo índice, destaca Spolaor, é a fraca atuação de organizações criminosas em Jaraguá do Sul. Relacionadas ao aumento da violência em cidades próximas, como Joinville, as organizações criminosas não se estabeleceram com força na cidade, garante o delegado que não nega a existência delas, mas afirma que o trabalho da polícia aliado a fatores externos inibe a atuação.

“Tem facção criminosa? Tem, mas a atuação delas é muito pequena. A polícia minimiza, não podemos dizer que não existe, mas é muito pequena, a ação é muito controlada pelas polícias”, explica.

Além disso, a localização geográfica da cidade também inibe a força das organizações. “A geografia contribui, Jaraguá do Sul não é uma rota de fuga”, completa.

Orgulhoso dos números jaraguaenses, o delegado destaca ainda a efetividade das investigações. Dos quatro homicídios registrados neste ano, todos já foram solucionados, garante Spolaor.

“Um número de crimes na cidade vai existir, é normal. O ideal seria zero, claro, mas os números são motivos de orgulho sim. De modo geral, eu considero que a violência em Jaraguá está diminuindo e os números do primeiro semestre mostram isso”, conclui.

Número de homicídios dolosos em Jaraguá do Sul

2018 - TOTAL: 4

  • Fevereiro: 1
  • Abril: 1
  • Julho: 1
  • Agosto: 1

2017 - TOTAL: 7

  • Janeiro: 1
  • Março: 1
  • Junho: 1
  • Julho: 1
  • Outubro: 2
  • Dezembro: 1

2016 - TOTAL: 6

  • Abril: 2
  • Maio: 1
  • Junho: 1
  • Agosto: 2

2015 - TOTAL: 1

  • Junho: 1

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