Além das tradicionais comemorações que fazem do fim de ano uma época muito aguardada pela maioria das pessoas, a chegada do décimo terceiro e das férias ajuda a dar uma incrementada no salário e trazer alívio financeiro. Mais do que um dígito extra na conta, o acréscimo na renda pode ser uma ótima oportunidade para colocar a situação financeira em dia ou até mesmo investir. De acordo com o coaching financeiro Caio Lopes, o primeiro passo para fazer bom uso do dinheiro é realizar uma análise detalhada e honesta do orçamento. Basicamente, esta avaliação precisa levar em conta três fatores: se há dívidas em aberto; se será preciso lidar com custos extras no começo do próximo ano; e qual é o nível de controle financeiro. Caso haja dívidas em atraso, a recomendação é procurar quitar o máximo dos valores em aberto. “Verifique se o dinheiro consegue pagar esta conta e, caso consiga, tente negociar um desconto para pagamento à vista. Se o dinheiro não for suficiente, escolha a dívida com a maior taxa de juros ou tente negociar parcelas mais suaves”, orienta o coaching. Para quem não possui débitos, a dica é reservar parte do dinheiro para o pagamento de despesas extras, como presentes de natal, material escolar e IPTU da casa. “Os três primeiros meses do ano são os mais apertados, por isso gastar todo o décimo nas férias no fim de ano pode resultar em problemas com as contas nos meses seguintes”, alerta Lopes. É claro que não é necessário guardar toda a renda extra para estes fins – e neste ponto o planejamento financeiro é uma “mão na roda”. “Tenha uma planilha, anote seus gastos fixos e os gastos extras. Assim você consegue ter uma ideia de quanto pode gastar nas férias sem se preocupar. Além disso, se você extrapolar nos gastos, já vai saber o quanto terá que poupar depois para não começar o ano endividado. O importante é ter em mente que não precisa gastar o dobro só por que ganhou o dobro: esta é a forma mais rápida e fácil de perder dinheiro”, aconselha. (clique na imagem para melhor visualização) economia Fazendo o dinheiro render Mais do que colocar as finanças em dia, o dinheiro extra pode ser uma ótima forma de começar a poupar e, mais além, investir. Conforme Lopes, para quem deseja começar a guardar dinheiro, a poupança é uma “ferramenta” viável e de fácil acesso, caso seja preciso cobrir alguma despesa inesperada. Entretanto, a poupança não é recomendada caso o objetivo seja fazer o dinheiro render. “Ano passado a inflação superou o rendimento da poupança o que, na prática, significa que depois de alguns anos o dinheiro perdeu poder de compra”, explica Lopes. Nestes casos, a dica é procurar um agente de investimentos e avaliar, a partir dos seus objetivos de vida, a melhor opção de aplicação. “O tesouro direto é uma opção de investimento tão segura quanto a poupança, pois dá um fundo garantidor de crédito que cobre até R$ 250 mil em casos de perda. Existem também fundos de investimentos mais conservadores que podem render até 120% o valor do CDI (Certificado de Depósito Bancário), que é o índice que se utiliza como comparação e que atualmente está na faixa de 14% ao ano”, recomenda o coaching financeiro. Em geral, este recurso extra é uma boa opção para adquirir o hábito de investir justamente por estar fora do orçamento habitual. “Muitas vezes é uma questão de avaliar se aquele ‘gasto’ é ativo ou passivo, ou seja, se vai me trazer mais dinheiro ou se não vai me trazer benefício algum. Isso vale para tudo o que fazemos com o dinheiro”, salienta Lopes.