Por Prof. Paulo Moretti.

A dimensão da vida humana não será inteiramente completa se nela não se inserir o lazer, nas suas mais variadas facetas, nos seus mais diversos matizes. Da mesma forma que o trabalho dignifica o homem, o lazer tonifica seu corpo e sua alma, tornando a qualidade de vida mais saudável e mais equilibrada. A cultura do lazer brota da necessidade de o homem emprestar à vida um sentido completo, um sentido em que corpo e mente se harmonizem no pleno florescimento de costumes e hábitos tendentes a promover a necessária integração de um cotidiano equilibrado e de uma prática saudável do viver intensamente a história humana. Para tanto, cabe criar e desenvolver uma mentalidade sem distorções, um referencial sem exageros, um espaço em que trabalho e lazer desfrutem de momentos de realização pessoal e profissional, num ritmo que não signifique ameaça à estruturação físico psicológica do ser humano. A exigência do lazer não é meramente circunstancial ou radicalmente ocasional, ao contrário, é essencialmente fundamental para dar um sentido amplo à vida, sem o que se criaria um vazio capaz de gerar angústia e alienação, sem o que se forçaria um estado de depressão e estresse, sem o que se provocaria uma situação de morbidez e opressão. Em relação ao trabalho e ao lazer, é importante adotar uma postura crítica que fomente o exercício da descoberta da justa medida, que desperte no ser humano a capacidade de dosar a liberdade como força de equilíbrio entre o produzir e o repousar, entre as exigências do agir e os imperativos do folgar. Na escalada da vida moderna, em que se avolumam exigências e questionamentos de toda ordem, nem sempre um balanço metódico entre o trabalho e o lazer pode ser efetuado, sobrevindo, em razão disso, estafas, úlceras e outros comprometimentos corporais e mentais, suficientes para conduzir à exaustão. A demissão precoce do viver e do conviver pode acarretar consequências danosas, pois, é sabido que o isolamento e a misantropia são capazes, por si sós, de provocar o indiferentismo e a alienação, caminho mais curto para se chegar à passividade e à depressão, dificultando, assim, o reencontro consigo mesmo, com a família, com os amigos, com a a sociedade. Na caminhada humana, não podemos ser meros espectadores do processo, mas agentes do sucesso, a fim de transformar o trabalho em valor e o lazer em refrigério, num binômio em que os ingredientes ação e repouso conduzam ao equilíbrio psicofísico e em que a harmonia corpo e mente produza sadios resultados do aprender a viver e do saber conviver.