Caros leitores, nesta semana o assunto será o bruxismo. Clinicamente verificamos um aumento significante no número de pessoas que sofrem com esta patologia. O diagnóstico e tratamento corretos são fundamentais para o sucesso das terapias. Quem contribuirá com seus estudos na coluna de hoje é a Dra. Kellyn Rengel Bertoldi, que se dedica a este assunto em profundidade, aproveitem!

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O bruxismo é uma atividade repetitiva dos músculos mastigatórios, caracterizado por apertar, encostar ou ranger dentes, podendo quebrar ou desgastar dentes naturais. Pode ocorrer quando a pessoa está acordada (bruxismo de vigília) ou durante o sono (bruxismo do sono). É um comportamento normalmente inconsciente. Em um indivíduo saudável, o bruxismo deve ser considerado um comportamento inofensivo. Em pacientes com determinadas condições de saúde, pode ser fator de risco para outras condições, como disfunção temporomandibular (DTM) e em pacientes com a Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS), pode ser um sinal de alerta.

Eles têm causas e tratamentos diferentes. Os sinais e sintomas são: dor passageira ou cansaço na face (ao acordar ou final do dia), desgastes dentários, marcas de mordida nas bochechas e marcas de dentes na língua.

Sabe-se que hoje, a relação de bruxismo e oclusão (engrenamento dos dentes superiores com os inferiores) não é abordada pela literatura e faltam evidências científicas para justificar que uma má oclusão (mordida alterada) gere evento de bruxismo.

As causas do bruxismo podem ser de origem primária ou secundária. Quando primária uma das explicações recai sobre o papel do estresse ou tensão emocional, sendo mais associadas ao bruxismo de vigília. Já o bruxismo do sono está mais relacionado aos despertares breves, podendo causar sonolência e cansaço durante o dia.

As causas secundárias podem estar associadas à doença de Parkinson, distúrbios neurológicos, psiquiátricos, respiratórios do sono, como Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) e ainda pode estar associado ao etilismo, tabagismo, uso de drogas, ingestão de cafeína, anfetamina e medicações como fluoxetina, sertralina, paroxetina, venlafaxina, duloxetina.

A avaliação do bruxismo é baseada em diferentes metodologias, como autorrelato, exame clínico, avaliando os sinais e sintomas; exames de imagens, como fotos intra e extra orais, posturais e radiográficos e  achados em exames que monitoram o sono do paciente e investigam a hipótese diagnóstica de apnéia.

Uma área que vem evoluindo muito é a odontologia do Sono, ela contribui com a medicina no diagnóstico e tratamento da apnéia, juntamente com a equipe médica, que faz o diagnóstico por meio de polissonografias (monitoramento com equipamentos específicos) e exames gerais inerentes a esta especialidade identificando a origem e estabelecendo o tratamento. A placa de bruxismo clássica, por vezes, pode agravar o quadro, devendo ser estabelecido terapias diferenciadas para este tratamento.

E o botox funciona para tratar o bruxismo?

A literatura até o presente momento só tem evidências para pacientes com transtornos mentais e bruxismos desastrosos. Para os demais não é indicação primária, artigos recentes relacionam o uso frequente da toxina em músculos mastigadores com aparecimento de alterações das estruturas ósseas, além do que, o bruxismo é mediado pelo Sistema Nervoso Central e o Botox não atua lá.

 

Dra. Kellyn Rengel Bertoldi

Cursando especialização em DTM e Dor Orofacial na Universidade Tuiuti – PR. Graduou-se na Universidade Regional de Blumenau, FURB, em 2002. Desde então, está em constante atualização: Curso de Aperfeiçoamento em Oclusão Clínica – Bauru – SP; Capacitação em Human Body Total Care – Regulador Funcional Aragão – SP ;  Capacitação em Harmonização Orofacial; Capacitação em Atingindo a Excelência em Resina Composta; Capacitação Odontologia do Sono na IEO – Bauru SP, membro do DSM Brasil (Dental Sleep Medice), Capacitação em Odontologia do Esporte - RS,  Credenciada da Biologix (Monitoramento Digital da Apneia do Sono).