Foto Divulgação
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Aposto que você já ouviu falar de HPV, mas será que sabe tudo sobre o assunto? O Papilomavírus Humano (HPV) é um vírus que infecta pele ou mucosas (oral, genital ou anal), tanto em homens como em mulheres, podendo provocar verrugas e/ou câncer.

Existem cerca de 200 subtipos de HPV, 13 desses são considerados oncogênicos (capazes de causar câncer), sendo que os subtipos 16 e 18 estão presentes em 70% dos casos de câncer de colo do útero.

Estima-se que 50% da população nas capitais do país já foi contaminado por algum dos subtipos de HPV. Apesar de ser muito frequente a infecção, a maioria das infecções são resolvidas pela nossa própria imunidade, principalmente nas adolescentes, por isso a recomendação do Ministério da Saúde de começar a coleta de preventivo a partir de 21 anos. Porém quando ela persiste pode levar ao câncer.

Há registros de persistência do vírus dentro do corpo humano por 20 anos. A principal forma de transmissão é a via sexual, mas isso não significa necessariamente penetração, pode ser através de contato genitália-oral; genitália-manual e, claro, genitália-genitália.

Sendo assim, fica claro que o preservativo não consegue proteger completamente em todas as situações, pois além do que já expliquei acima, se houver uma lesão na vulva ou na base do pênis, o preservativo não irá protegê-lo (a).

E também pode ser transmitido durante o parto vaginal. Na presença de lesões ativas de HPV em conduto vaginal, ou seja, por onde o bebê irá passar, não é recomendado ser feito o parto. Caso a lesão esteja distante da saída da vagina pode ser considerado o parto normal.

Sendo assim, foi necessário criar uma forma de se prevenir a infecção pelo HPV, e então originou-se as vacinas. Para criá-las são usadas pequenas partículas sem material genético para induzir a imunidade, e tem benefício máximo em pessoas que ainda não foram infectadas (virgens).

Ainda que se fale muito da eficácia da vacina de HPV na prevenção do câncer de colo de útero (reduz em 70% dos casos); a vacina previne também: 90% dos casos de câncer anal; 63% do câncer de pênis; 71% dos cânceres de vulva e 72% dos cânceres de orofaringe.

No Brasil temos disponíveis as vacinas quadrivalente (Gardasil®) para os tipos de HPV 6, 11, 16 e 18 e bivalente (Cervarix®) para os tipos de HPV 16 e 18.

A partir de 2007, a vacina quadrivalente foi inserida no programa de vacinação da Austrália e houve uma redução de 93% de verrugas genitais em mulheres até 21 anos, além de ter diminuído 85% de lesões do colo do útero de alto grau (as quais teriam grande probabilidade de se tornar câncer). Outros países da Europa, América do Norte e Nova Zelândia já implantaram a vacinação e reduziram 90% das infecções pelo HPV.

A duração da vacina provavelmente deve ser de 20 anos ou mais, está comprovado até o momento a eficácia por 10 anos, que é justamente o tempo desde o início das primeiras vacinações. Para saber quando e se deverá ser feitas novas doses, esses pacientes continuam sendo acompanhados e estudados. Até o momento não foi necessário doses adicionais.

As únicas contraindicações à vacina são alergia aos componentes (as vezes só se descobre isso após a primeira dose) e as gestantes. Não existe contraindicação aos alérgicos à proteína do ovo.

A vacina de HPV é considerada segura pela Organização Mundial de Saúde, uma vez que foram distribuídas mais de 200 milhões de doses mundialmente até o início de 2016 e não foi identificado nenhum efeito colateral grave. Contudo, 10-20% apresentam mínimos efeitos adversos como dor local, inchaço e vermelhidão no lugar da aplicação.

As vacinas estão disponíveis pelo SUS desde 2014 em 2 doses (a 2ª dose é feita 6 meses após a primeira) para meninas de 9 a 14 anos; meninos de 11 a 14 anos; portadores de HIV entre 9 a 26 anos; pacientes transplantados e portadores de câncer. Caso o adolescente tem 15 anos e precisa da última dose da vacina também pode realizar gratuitamente.

Apesar da vacina ser distribuída nos postos de saúde conforme condições acima, existe benefício, sim, em mulheres já sexualmente ativas e que já tiveram infecções pelo HPV. A vacina pode reduzir a recorrência da doença em mulheres que já foram infectadas. Um estudo demonstrou redução de 64,9%!

Nesses casos você pode adquirir nas clínicas de vacinação particulares da cidade. A vacina Gardasil® (quadrivalente) pode ser feita em mulheres de 9 a 45 anos, e a Cervarix® (bivalente) a partir de 9 anos, sem idade final.

Se interessou pelo assunto? Ficou dúvidas? Converse com seu médico ou entre em contato conosco pelas nossas mídias sociais.

Referências Bibliográficas: Diretoria da Vigilância Epidemiológica - dive.sc.gov.br/hpv - março 2018; Instituto Nacional de Câncer. Disponível em: inca.gov.br; Febrasgo - Programa de vacinação da mulher. 2016-2019.

Dra. Juliana Bizatto

(CRM/SC 16684 | RQE 15232)

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