Quando vamos falar de fator ovulatório como causa de subfertilidade temos duas formas de abordagem. Na primeira precisamos avaliar se essa mulher ainda tem reserva ovariana e na segunda precisamos avaliar se essa mulher está ovulando. Vamos falar primeiro de reserva ovariana.

Nós mulheres nascemos com 1 a 2 milhões de folículos (folículo é a “casinha” do ovário). Quando entramos na puberdade (primeira menstruação) essa contagem vai para 300.000 a 400.000.

A cada menstruação perdemos em torno de 1000 folículos: 1 se torna dominante e pode ovular e outros 1000 são destruídos durante o processo. Aos 30 anos resta apenas 12% da reserva original de óvulos, aos 40, apenas 3%, aos 50, está praticamente esgotada.

Outra estatística para vocês:

Uma forma de avaliar a reserva ovariana é a contagem de folículos: um ultrassonografista experiente com um aparelho de alta qualidade deve contar folículos entre o 2º e o 5º dia do ciclo menstrual. Contagem abaixo de 5 folículos significa pouca reserva ovariana.

Outra forma de avaliar a reserva ovariana são dosagens de FSH e estradiol do 2º ao 5º dia do ciclo menstrual (exames de sangue). Percebam que não é em qualquer momento, você tem que fazer exames levando em consideração o seu momento do ciclo menstrual! FSH > ou = 10mUI/mL e/ou estradiol > 80pg/ml nesse período é indicativo de perda de reserva ovariana, o exame deve ser repetido, mas na maioria dos casos necessita de intervenção com especialista (fertileuta).

Também existe a dosagem de hormônio antimülleriano (outro exame de sangue), esse não tem período do ciclo específico para ser feito. Os valores considerados normais são entre 1,0 a 2,8 ng/ml.

Para a mulher poder engravidar, nada mais lógico que, antes de mais nada, ela ovule. Já falamos sobre reserva ovariana, entretanto, há casos em que a mulher possuir uma boa reserva ovariana mas não está ovulando com frequência, o que chamamos de anovulação.

Existem algumas causas para isso, como estresse, distúrbios alimentares, excesso de atividade física, problemas em nível de sistema nervoso central, hipotireoidismo e alteração de prolactina.

A causa mais frequente é a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Contudo, nem toda mulher com a síndrome tem problemas para ovular.

Para avaliar se a mulher está ovulando todo mês começamos primeiro verificando a duração do ciclo menstrual dessa mulher: ciclos de duração de 25 a 35 dias tendem a ser ovulatórios (ou seja, a mulher ovula).

Outra forma de avaliar ovulação são os testes de ovulação (de farmácia), biópsia de endométrio no período fértil, alteração da temperatura e muco cervical no período fértil (já falado em outro artigo), e os ultrassons seriados de controle de ovulação (vários ultrassons que são feitos naquele ciclo, começando antes do período fértil e se repetindo a cada 3 dias até observar a presença de corpo lúteo).

Nos casos onde há comprovação que a mulher não está ovulando pode ser recomendado a perda de peso nas pacientes obesas, uso de medicações hipoglicemiantes como a metformina (nas pacientes com a SOP) e existem os indutores de ovulação: famoso clomifeno (clomid, indux, etc), letrozole, gonadotrofinas, inositol, entre outras medicações mais comumente utilizadas por fertileutas (especialistas em fertilidade).

O uso dessas medicações deve ser sempre acompanhado de um médico! Não tente fazer uso sozinha, pode haver efeitos colaterais graves!

Na próxima edição, vamos falar sobre prolactina e alteração da fertilidade. Ficou com dúvidas? Fale com seu médico, e se eu for sua médica, fale comigo. Mais informações no nosso Instagram: @drajulianabizatto.

Referências Bibliográficas:

Ginecologia de Williams, 2 ed. 2014
Propedêutica basal da infertilidade Conjugal. Protocolos Febrasgo. 2018

Dra. Juliana Bizatto

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