Quem nunca teve dor de cabeça, que atire a primeira pedra! As pesquisas científicas apontam que 95% dos homens e 99% das mulheres vão sofrer com cefaleia em algum momento da vida. Possivelmente essa alta prevalência seja uma das responsáveis por “normalizar” esse sintoma. Pode
até ser comum, mas não é normal se for muito frequente.

A dor de cabeça é um sinal que algo de errado está acontecendo no nosso organismo, como um alarme. Na maioria das vezes ela ocorre por uma condição benigna, como fome, sede, ressaca, uma noite mal dormida, situações de estresse, uma gripe ou até mesmo devido a longos períodos em jejum. Entretanto, doenças mais graves como AVC, meningite, trombose venosa cerebral, aneurisma, tumores, entre outras, podem ter esse sintoma como manifestação.

Por outro lado, a enxaqueca é o tipo mais comum de cefaleia primária, ou seja, sem uma origem secundária a outra doença. Estima-se que mais de 1 bilhão de pessoas sofram com enxaqueca no mundo. De acordo com o Global Burden of Diseases, estudo feito para medir o impacto das doenças
mais comuns na população mundial, ela ocupa o 2º lugar entre as condições que geram mais anos vividos com incapacidade em pessoas com menos de 50 anos de idade.

A enxaqueca é uma doença neurológica com base genética, caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça de forte intensidade. A dor não é o único sintoma, apresenta outros associados como: desconforto e ou dor no pescoço, dificuldade de concentração, alterações de humor, vontade de
comer doces, sonolência, bocejamento, desconforto com ambientes iluminados, com barulho e cheiros, náuseas e até vômitos.

Frequentemente está associada a outras doenças como distúrbios do sono, distúrbios endocrinológicos, transtorno de ansiedade, depressão, sedentarismo e obesidade. Devendo essas condições ser investigadas e/ou tratadas em conjunto.

O reconhecimento desse importante problema de saúde pública é o primeiro passo para mudanças na sociedade, com melhora do diagnóstico e mais acesso ao tratamento. Certamente o baixo reconhecimento da enxaqueca como doença corrobora para que menos de 5% dos portadores recebam um tratamento adequado.

A notícia boa é que a segunda doença mais incapacitante do mundo tem sim tratamento e capaz de transformar a qualidade de vida. O primeiro passo, por vezes o mais difícil, é o reconhecimento do problema. Por isso, informação de qualidade é fundamental.