Muitos que pensavam em se tornar empreendedores, para terem tudo ‘em suas mãos’ e/ou todos sob ‘seu guarda-chuva’, logo caem na real, quando abrem as portas de seus negócios.

Em um cenário empresarial, cabe, sim, ao empreendedor, como protagonista de seu negócio, apenas estabelecer regras gerais para que sua empresa alcance objetivos. Para isso, ele, empreendedor, precisa de características, como proatividade, autocrítica e ambição dosada,  como ‘facilitadores’ na transformação de ideias em ações concretas.

Contudo, o protagonismo do empreendedor nunca pode se transformar em individualismo, pois ele, empreendedor, só cresce se as pessoas ao seu redor crescerem juntas.

Um empresário individualista só pensa no alcance do sucesso de seu negócio, sobrepondo seus valores individuais em detrimento dos valores de sua equipe, isto é, vive em busca exclusiva do que deseja, independentemente dos objetivos individuais dos membros de sua equipe.

E o efeito disso é que, em pouco tempo, sem a interação da equipe com um propósito comum, cai substancialmente a eficiência da empresa, pela falta de colaboração e parceria e, logo em seguida, surge muita competição e rivalidade.

Mas, um empreendedor não precisa, e nem deve, abrir mão de seus sonhos e objetivos individuais. É extremamente possível se importar com o sucesso coletivo e desenvolver uma atitude protagonista, pois o coletivismo se opõe ao individualismo, mas não necessariamente ao protagonismo.

É possível ser um líder empresarial forte, trabalhando muito bem em equipe, estando interessado em seus objetivos coletivos e  vibrando com o êxito do trabalho de seus colaboradores. Para isso, não é preciso negligenciar interesses pessoais, nem esquecer quem se é e, muito menos, quem se deseja ser na trajetória empresarial sonhada.

Enfim, o protagonismo, ao contrário do individualismo,  é uma competência assumida pelo empreendedor, ao se considerar o autor principal da sua própria história, para não só tomar decisões, mas, principalmente, sentir-se responsável por executá-las coletivamente.

Ser protagonista é assumir a responsabilidade pelo resultado coletivo e, assim, fazer o que for preciso para obter êxito. Para tal, são necessárias características marcantes, como desenvolvido senso para assumir responsabilidades, autoconfiança, liderança, persistência e coragem para decisões.

Acima de tudo, ser um empreendedor protagonista é aceitar que se é o grande responsável pela construção de sua história empresarial, com significado, independentemente do ambiente e dos outros, sempre evitando atribuir a culpa de fracassos próprios aos outros, como alertava Dale Carnegie: “Eis a natureza humana em ação, o culpado culpando todos menos a si mesmo”.

Resumindo, as empresas são empreendimentos coletivos, o que significa que vários indivíduos as compõem e, assim, que devem trabalhar juntos para atingir os objetivos do negócio.

No entanto, assim como o empreendedor, cada trabalhador é, por si só, uma entidade independente e, como tal, em nome da eficiência e competitividade do todo e busca pessoal do sucesso e felicidade, pode e deve exercer algum protagonismo.

Por fim, lembrando que a sociedade baseia-se na suposição de que as pessoas promovem seus próprios interesses, se um empreendedor puder alinhar os interesses dos seus colaboradores com os seus próprios interesses, isso aumentará o moral e a produtividade da equipe, como que num ‘compartilhamento de protagonismos’.