“Estou sem tempo”, “perdi a hora”, “o tempo passou e nem percebi”. Ouve-se muitas exclamações como estas na sociedade atual, em que o “corre-corre” faz parte do cotidiano.

Contudo, “nada há de novo debaixo do sol” (Salomão, +/- 950 a.C.): lidar com o tempo cronológico tem sido, desde os primórdios, uma necessidade contínua da humanidade, onde cada sociedade encontrava, de acordo com a sua ‘visão de vida’, uma maneira diferente de contar o tempo.

Na pré-história, por exemplo, os calendários marcavam o tempo, seguindo os ciclos naturais e, tempos depois, passaram a ser frutos de convenções, a partir de critérios próprios (como crenças, culturas e costumes), para marcar dias, meses e anos.

Há resquícios disto, ainda hoje: por exemplo, enquanto quase todo o mundo está no ano 2019 (no calendário gregoriano), os chineses falam no ano 4717 e os judeus no 5780.

Mas, divagações históricas à parte, como ser um bom gestor do próprio ‘tempo’? Como deixar de ser “escravo do relógio”? Como evitar que o tempo seja um empecilho na vida?

A solução, segundo Christian Barbosa, reconhecido como o maior especialista em produtividade do Brasil, autor de seis livros sobre o tema (entre os quais, ‘A Tríade do Tempo’), é “ter um ‘método’, palavra de origem grega, que quer dizer, literalmente, ‘caminho para chegar a um fim’. Um método, como uma estrutura lógica, um roteiro que facilite a realização de qualquer atividade”.

O fato é que, mesmo não se tendo consciência, sempre se aplica, no dia a dia, diversos ‘métodos’ para realizar as coisas: escovar os dentes, arrumar a casa e, até, desenvolver novas relações.

E no trabalho? Quanto a isto, cada qual tem a sua própria maneira de desempenhar suas obrigações (profissionais), mas, incontestavelmente, um ‘método’ bem planejado e executado sempre pode impulsionar a produtividade.

Um exemplo é dividir o tempo, com clareza, em três tipos de tarefas: as importantes, as urgentes e as circunstanciais, nunca se podendo, nesta ‘tríade’, deixar de lado as ‘importantes’, para se ocupar apenas das ‘urgentes’ e das ‘circunstanciais’.

Através deste ‘modelo’, pode-se mensurar o progresso pessoal (do antes ao depois) na organização das tarefas: as ‘importantes’ (as de prazo curto para serem realizadas e que trazem resultados), as ‘urgentes’ (as de tempo expirado ou muito curto) e as ‘circunstanciais’ (as que só desperdiçam tempo, raramente trazendo resultados).

Enfim, uma vida organizada é benéfica para quem a adota, pois impulsionando a produtividade, otimiza a rotina e reduz o cansaço e o estresse.

No trabalho, a produtividade, uma das qualidades mais bem quistas pelas empresas, leva a uma ‘entrega’ maior das tarefas essenciais (e de crescimento hierárquico), assim como, à realização satisfatória de metas profissionais e, no âmbito particular, propicia mais tempo para atividades pessoais e familiares.

Ou seja, sem necessidade de mais que 40 ou 44 horas por semana, a produtividade profissional ajuda na obtenção de lucros maiores para os negócios e a construir mais liberdade (independência) na vida pessoal e, em consequência, mais felicidade para a respectiva família.

Em resumo, com sabedoria, o bom aproveitamento do tempo permite que surjam ‘lacunas’ onde podem ser encaixadas ‘vontades pessoais’, como hobbies, paixões e convivência próxima com a família e amigos.

Por fim, considerando que a obsessão é ‘prima-irmã’ da paranoia, deve-se, quanto ao trabalho, lembrar Pablo Picasso que, em 1932, disse: “tem-se que ser capaz de parar a tempo”. Ou seja, saber a hora em que uma ‘obra’, para quem está ‘do outro lado do balcão’, está acabada!