De acordo com o World Wide Fund for Nature (WWF, "Fundo Mundial para a Natureza"), o Brasil é o quarto país mais produtor de lixo do mundo. São 11,4 milhões de toneladas por ano, sendo que considerável parte vai parar nas ruas, rios e mares.

Por conta disso, manter uma cidade limpa, demanda de profissionais dignos, valorizados e motivados. Entretanto, aos olhos da sociedade, o trabalho dos garis e catadores ainda é uma atividade bastante estigmatizada, obviamente, pela lógica inconsciente e desatenta de estar atrelada ao lixo.

Por causa desse preconceito, esses profissionais passam desapercebidos no apressado e insensível cotidiano. Em troca da cidade limpa, esses cidadãos, que tem família e sonhos, tem a dignidade anulada e a importância de seu trabalho ignorada.

É preciso desconstruir esse desumano paradoxo. Prova disso está no humilde depoimento de uma senhora gari de nossa cidade: “esses dias um jovem, passou por mim, depois voltou e disse: ‘muito obrigado pelo seu trabalho de manter a cidade limpa, agradeça todos da sua empresa pelo o que fazem por Jaraguá, é tudo muito limpo por aqui, parabéns.’ Se todos fossem como esse moço, o mundo seria bem diferente.”

Ou ainda, como o relato de um jovem coletor de lixo: “era complicado, eu nunca tinha feito algo parecido, foi cansativo. Ainda aconteceram vários acidentes no começo. Colocaram uma barra de ferro dentro do saco de lixo e eu fui organizar no baú do caminhão, pisei e ela furou a bota e uma parte do meu pé. Também já cortei o dedo com caco de vidro e até hoje tenho o movimento debilitado.”

É preciso ter consciência de que todo trabalhador, independentemente de sua atividade, merece ser respeitado como ser humano e como profissional. Afinal, fazemos parte de um sistema no qual dependemos, direta ou indiretamente, uns dos outros. Que tal começarmos com um “bom dia?”