A gestão de risco é o ato de administrar o impacto das incertezas de um acontecimento. E, dentro do universo do mercado financeiro, o risco pode se apresentar de duas maneiras: sistematicamente ou não sistematicamente.

Como o primeiro nome já diz, o risco sistêmico contempla o sistema como um todo, e pode ser afetado por uma crise política, pela insegurança fiscal de um país ou por uma pandemia, por exemplo. Este risco não pode ser minimizado e, muitas vezes, acaba afetando a economia de forma global.

Um exemplo prático foi a crise que teve início nos Estados Unidos, em 2008, que acabou impactando todo o mundo. Já o risco não sistêmico é, de certa forma, “mais ameno”, pois o impacto pode ser minimizado por meio de uma carteira diversificada.

Quando a diversificação da carteira do investidor é feita de forma inteligente, ela está bem posicionada em diversos ativos, com empresas de setores específicos, com taxa de juros e câmbio, por exemplo. Imagine que você vai construir uma carteira de ações e a sua escolha é baseada nos principais bancos privados do país, alocando 50% no Itaú e 50% no Bradesco.

O setor financeiro não é o mais favorável diante do cenário atual, no qual temos juros e inflação baixa, economia retraída e alta provisão de devedores duvidosos. As ações dessas duas empresas são correlacionadas, ou seja, tendem a se comportar de maneira semelhante: se uma ação sobe a outra também sobe, se uma ação cai, a outra cai.

Com um Dólar alto, um setor que se beneficia é o de papel e celulose, pois grande parte das suas receitas são dolarizadas. Se o investidor optar por uma alocação com 50% em Itaú e 50% em Suzano, por exemplo, conseguimos construir uma carteira com ativos descorrelacionados, cuja a tendência é: se um cair, o outro se mantém estável ou sobe.

A descorrelação está presente em títulos públicos, investimentos no exterior ou fundos multimercados. E uma carteira de investimentos diversificada consiste em avaliar como todos os ativos se comportam em conjunto, e não julgar o risco olhando apenas para um investimento.

Gerenciar riscos vai além de escolher as bandeiras e dividir o dinheiro em vários bancos ou corretoras. Aliás, na maioria dos casos, o investidor investe em fundos na corretora Y no banco X e acaba sobrepondo a estratégia, ou, traduzindo, investe em fundos que fazem a mesma coisa. Ou seja, eficiência zero!

Podemos assumir riscos em diferentes fases do planejamento financeiro. Uma pessoa que poupa há 20 anos tem uma tolerância ao risco diferente de uma pessoa que nunca poupou. O gerenciamento de risco vai além da diversificação: ele tem a ver com o fator tempo. Quanto maior o tempo, maior a tolerância às variações do mercado.

Dicas para você refletir sobre assunto:o mercado é cíclico. Questione promessas de alta rentabilidade e com baixo risco. Lembre-se que o rendimento dos seus investimentos é importante, mas o tempo e a sua disciplina ganham nessa equação.

E, por fim, faça o seu planejamento financeiro com um profissional. Assim, você entenderá qual o nível de risco que precisa assumir para atingir os seus objetivos.

Texto de: Ana Kamila Casagrande. Contato: ana.casagrande@warren.com.br. | warren.com.br