O programa Rede Catarina de Proteção à Mulher da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) busca a proximidade, efetividade e celeridade nas ações de proteção à mulher.

A Rede é sustentada em ações de proteção, policiamento direcionado da Patrulha Maria da Penha e na disseminação de solução tecnológica.

Sua idealização veio a partir de práticas existentes por todo o território nacional e em Santa Catarina, transcendendo e se tornando mais do que uma ronda de fiscalização de medidas protetivas, mas prestando a necessária atenção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, dando voz e dignidade para elas e promovendo a igualdade de gênero.

 

 

Em Jaraguá do Sul, a Rede Catarina foi criada em novembro de 2018, e é uma das frentes que visa acolher vítimas dessa violência.

Segundo o subcomandante do 14º BPM e coordenador das redes de proteção, capitão Antônio Benda Rocha, a equipe da Rede acompanha em tempo real os procedimentos judiciais para garantir a proteção da vítima de violência e, se necessário, endossar os processos com novas provas.

"Eles [a equipe] conseguem ir lá falar com a vítima e dizer: "está tudo bem aí?". E, se não estiver tudo bem, a equipe faz imediatamente o registro em tempo real e vincula isso ao processo, sob pena de mandado de prisão para o agressor. Tempos atrás, isso não ocorria", lembra o subcomandante.

Números da Rede Catarina

Subcomandante do 14º BPM e coordenador das redes de proteção, capitão Antônio Benda Rocha | Foto Adilson Amorim/OCP News

O 14º BPM (Batalhão de Polícia Militar) registrou 299 ocorrências de violência doméstica contra a mulher no primeiro semestre de 2019.

No mesmo período em 2020, foram 340 chamados para o número 190, o que significa um aumento de 13% no registro de casos.

Já a Patrulha Maria da Penha fez 131 atendimentos no primeiro semestre de 2019. No mesmo período de 2020, foram 159 atendimentos, registrando aumento de 14%.

Benda acredita que colocar em pauta o assunto ajuda a derrubar o tabu em cima da temática e encoraja vítimas a denunciar.

"Quando a gente começa de fato dar essa atenção, ela começa a florescer e todo mundo fica efetivamente mais encorajado a registrar. Então, a gente não sabe se hoje os números são maiores porque tem mais violência ou porque de fato as mulheres estão mais denunciantes", comenta.

A ideia, segundo Benda, é criar conteúdo para que toda essa violência possa ser estudada cientificamente daqui a alguns anos, para dizer com mais propriedade se o índice aumentou ou não.

Mudanças na sociedade

O subcomandante enxerga mudanças em como a sociedade passa a encarar hoje a violência contra a mulher, e que o movimento ganha cada vez mais fôlego e se fortalece com a participação de órgãos e entidades públicas ou civis.

"A violência doméstica até dias atrás era só mais uma violência, um fato banal. Agora não, de alguns anos pra cá, com a Lei Maria da Penha, o movimento criou mais força com a Rede Catarina. E agora falamos de farmácias, um órgão totalmente alheio ao processo e que está apoiando também", aponta.

"O Conselho Nacional de Justiça, todos os órgãos e entidades públicas ou civis estão de fato gritando e dizendo 'não' a esse tipo de violência. E isso fortifica, pois não é um não isolado, é um grito de toda a sociedade. Agora a violência não vai ser mais tolerada", defende.

Para o futuro, Benda fala das mudanças culturais que a sociedade vem passando, e acredita na maior adesão de pessoas ao movimento da igualdade de gênero e direitos.

"Parece que você está quebrando esse ciclo e talvez culturalmente daqui a uns anos nós venhamos a dar risada e dizer: 'nossa, teve uma época que na sociedade o marido batia na mulher, e hoje não'. Somos iguais em direitos e deveres, cada qual respeitando o gênero de cada um, mas somos todos iguais", completa.

Confira a reportagem 'Por elas' da OCP TV:

Part.1

Part.2

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