A violência doméstica contra a mulher figura entre os principais problemas da segurança pública em Jaraguá do Sul. O 14º BPM (Batalhão de Polícia Militar) registrou 299 ocorrências deste tipo no primeiro semestre de 2019. No mesmo período deste ano, foram 340 chamados para o número 190, ou seja, um aumento de 13%.

Criada em Jaraguá do Sul em novembro de 2018, a Rede Catarina de Proteção à Mulher é uma das frentes que busca dar acolhimento para as vítimas. A Patrulha Maria da Penha, uma guarnição composta por dois policiais militares, sendo um deles uma mulher, dá apoio às vítimas e verifica se as medidas protetivas de urgência concedidas pela Justiça estão sendo cumpridas.

A Patrulha Maria da Penha realizou, no primeiro semestre de 2019, 131 atendimentos. No mesmo período de 2020, foram atendidos 159 casos. Os números representam um aumento de 14% e acompanham a escalada de aumento da violência contra a mulher no município.

O subcomandante do 14º BPM e coordenador das redes de proteção, capitão Antônio Benda Rocha, explica que todos os casos são verificados pelos policiais militares da Rede Catarina. Desse modo, o Estado acaba dando mais atenção para o problema. Muitas vezes, o acompanhamento oferecido pelos PMs é dispensado.

“Não há um caso que tenhamos conhecimento e a Patrulha Maria da Penha deixe de entrar em contato, seja por telefone ou uma visita. Colocamos toda a rede à disposição para qualquer ação, inclusive do pedido de prisão imediata do agressor, se for o caso”, comenta Benda.

Atuação da Rede Catarina

O capitão da PM acredita que os resultados positivos da atuação da Rede Catarina estão surgindo. Ele destaca que ainda é necessário mais tempo e um estudo mais aprofundado para avaliar se o programa está sendo eficiente na cidade.

Policiais militares verificam todos os casos de violência contra a mulher no município | Foto: Fábio Junkes/OCP News

Benda explica que é difícil afirmar se há mais casos porque o Estado, através das polícias Militar e Civil, está dando cada vez mais atenção ao problema, se as vítimas estão denunciando mais ou se até de fato está existindo mais violência no seio familiar.

Para o subcomandante do 14º BPM, as pessoas precisam mudar a mentalidade e dizer não a esse tipo de violência. Em muitos casos, a vítima passa parte da vida sendo violentada física e moralmente. Ele frisa que as pessoas próximas não podem admitir esse tipo de conduta.

“As vítimas também precisam ter consciência e coragem. Há toda uma sociedade madura e preparada para lhe acolher quando existir esse tipo de violência. Os direitos são iguais e precisam ser exercidos para que as próximas gerações não achem que a violência contra a mulher é normal”, destaca.

Campanha do CNJ ganha apoio da PM

O 14º BPM está apoiando a Campanha Sinal Vermelho Contra a Violência Doméstica, do Conselho Nacional de Justiça. O objetivo da ação é incentivar as mulheres a fazerem denúncias ao buscar ajuda nas farmácias.

Elas irão desenhar um “X” na palma da mão e mostrar para um farmacêutico ou atendente. O funcionário fará o acolhimento da vítima e vai chamar a Polícia Militar através do número de emergência 190.

O subcomandante do 14º BPM afirma que o apoio à campanha e de outras entidades civis mostra a preocupação em combater um problema que até pouco tempo atrás era considerado corriqueiro e normal por parte da sociedade.

“Achávamos isso natural, não ficávamos indignados! Quando se tem todos lutando no mesmo sentido, o tema do combate à violência doméstica ganha força e evidência. Isso demonstra às vítimas e agressores que a sociedade moderna não irá mais tolerar qualquer tipo de desvio e os responsáveis serão punidos”, destaca.

 

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