Mais de dois anos se passaram desde que o adolescente Israel Melo Júnior foi seqüestrado, torturado, assassinado e decapitado em Joinville até que todos os denunciados por sua morte fossem condenados.

Os dois últimos envolvidos na morte sentaram no banco dos réus na quarta-feira (4), e após mais de 12 horas de julgamento, Valter Carlos Mendes e Carlos Alexandre de Mello foram condenados a penas que, somadas, superam os 84 anos de prisão.

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Carlos Alexandre de Mello foi condenado à pena de 40 anos e seis meses de reclusão inicialmente em regime fechado e três anos de detenção inicialmente em regime semiaberto. Já Valter Carlos Mendes teve a pena imposta em 43 anos e seis meses de reclusão em regime inicialmente fechado e três anos de detenção em regime inicialmente semiaberto.

O júri aconteceu a portas fechadas devido ao número de testemunhas protegidas envolvidas no julgamento e citadas durante todo o ato. Os trabalhos iniciaram às 9h e encerraram às 21h30, com a leitura da sentença.Um dos fugitivos da Penitenciária de Joinville é acusado de decapitação do adolescente Juninho

Penas de cinco acusados de decapitação de adolescente somam 138 anos

A investigação, conduzida pelo delegado Wanderson Alves Joana, à época na Delegacia de Homicídios, indicou sete envolvidos nos crimes. Com o encerramento do julgamento, todos eles foram condenados por todos os crimes pelo quais foram denunciados pelo Ministério Público.

Além de Valter e Carlos Alexandre, em agosto do ano passado, Henrique Alexandre Guimarães foi condenado a 32 anos e um mês de reclusão, Jonathan Luiz Carneiro a 28 anos e cinco meses de prisão, Leonardo Felipe Bastos a 26 anos e seis meses, Luciano da Silva Costa a 28 anos e sete meses e Thomaz Anderson Rodrigues recebeu a pena de 22 anos e três meses de prisão.

Um dos fugitivos da Penitenciária de Joinville é acusado de decapitação do adolescente Juninho

Como foi o caso

Fevereiro de 2016: Duas garotas próximas a Juninho foram sequestradas e mantidas em cativeiro no bairro Ulysses Guimarães, na zona Sul da cidade, por cerca de 24 horas. Utilizando os celulares das garotas, os envolvidos no crime enviaram uma mensagem para Juninho com um convite para uma suposta festa.
Juninho foi sequestrado assim que chegou ao local da suposta festa, também no bairro Ulysses Guimarães. De acordo com a investigação, as duas garotas utilizadas para atrair o adolescente seriam executadas, mas foram liberadas após negociação.De acordo com o laudo do IGP (Instituto Geral de Perícias), o adolescente foi duramente torturado por cerca de 24 horas antes de ser morto.

2 de fevereiro de 2016: Depois de ser torturado, o adolescente foi assassinado. Seu corpo foi levado a uma pequena ilha em uma região de mangue do bairro Ulysses Guimarães, próximo ao local utilizado como cativeiro e onde ele foi torturado. Nesta pequena ilha, Juninho foi decapitado. A ação foi gravada pelos envolvidos. Nas imagens dois deles participam da decapitação. O vídeo foi divulgado na internet com uma trilha sonora. Ao fundo das imagens pode-se ouvir um funk que começa com a frase “aprende a respeitar o homem”.
No início da noite do dia 2 de fevereiro, uma terça-feira, a cabeça de Juninho foi encontrada em uma sacola no bairro Jardim Paraíso, zona Norte de Joinville, na esquina da Estrada Timbé com a rua Titan.

5 de abril de 2016: A investigação iniciada ainda na noite do dia 2 de fevereiro ficou sob responsabilidade da equipe do delegado Wanderson Alves Joana e as primeiras prisões ocorreram no dia 5 de abril. Nesta data, Leonardo Felipe Bastos e Luciano da Silva Costa foram detidos.

13 de abril de 2016: Uma semana após as primeiras prisões, a polícia apresentou outros três suspeitos pela morte e decapitação de Juninho. Jonathan Luiz Carneiro, Henrique Alexandre Guimarães e Valter Carlos Mendes foram detidos. Neste mesmo dia a polícia apresentou novamente Luciano da Silva Costa pela participação no crime. No dia 5 de abril ele havia sido preso com um rádio usado para interceptar a frequência utilizada pela Polícia Militar. Na ocasião, ele foi preso no local apontado como palco da morte de Juninho.

4 de maio de 2016: No dia 4 de maio, Thomaz Anderson Rodrigues foi detido ao visitar a mãe, internada no PA Norte. No mesmo dia, ele foi apresentado como suspeito de ter cometido o crime.

10 de maio de 2016: No dia 10 de maio, as equipes de investigação da Delegacia de Homicídios com o auxílio do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville realizaram buscas aos restos mortais do adolescente na região de mangue apontada como local da decapitação. Após uma tarde de buscas, a polícia identificou o local exato da decapitação e encontrou materiais utilizados na ação, como o machado, o lençol e a toalha utilizados para amarrar as pernas do adolescente, um sapato preto utilizado por um dos suspeitos e uma mochila com cal.

11 de maio de 2016: As buscas ao corpo de Juninho continuaram no dia seguinte e a polícia encontrou a luva cirúrgica utilizada no crime. Após dois dias de trabalho, as buscas foram suspensas sem que os restos mortais do adolescente fossem encontrados.

20 de maio de 2016: Polícia encerra inquérito e encaminha ao Ministério Público.

31 de agosto de 2016: Carlos Alexandre de Melo foi preso pela equipe da Delegacia de Homicídios em um casebre em uma região de difícil acesso na zona Norte de Joinville. Ele era o último suspeito de sequestrar, torturar, assassinar e decapitar Juninho.

4 de outubro de 2016: A primeira audiência foi realizada e ouviu as testemunhas protegidas do caso.

5 de outubro de 2016: Dando sequência aos trabalhos, no segundo dia também foram ouvidas testemunhas protegidas.

18 de outubro de 2016: Foram ouvidas sete testemunhas e acusação, entre elas, a equipe da Delegacia de Homicídios que participou da investigação do caso.

28 de novembro de 2016: Em nova audiência, testemunhas de defesa e réus foram ouvidos pela Justiça.

7 e 8 de agosto de 2017: Realizado a portas trancadas, o júri popular de cinco dos sete acusados se estendeu durante dois dias.

9 de agosto de 2017: Os cinco réus foram condenados por todos os crimes pelos quais foram denunciados. As penas somadas chegam a 137 anos de prisão.

4 de julho de 2018: Os últimos dois réus foram condenados por todos os crimes pelos quais foram denunciados. As penas somadas ultrapassam 84 anos de prisão.