Penas que somadas resultam em 138 anos de prisão em regime fechado. Este foi o resultado de um dos mais longos julgamentos realizados em Joinville, no Norte catarinense. Ao longo de três dias, foram mais de 30 horas de trabalho, fora a leitura das sentenças. As sentenças, lidas pelo juiz Walter Santin Júnior por volta das 16 horas desta quarta-feira (9), deram por encerrado o julgamento iniciado na segunda-feira (7), em que sentaram no banco dos réus cinco dos sete acusados de terem planejado e executado um dos crimes mais macabros registrados pela polícia catarinense - o assassinato e a decapitação do adolescente Israel Melo Júnior, conhecido como Juninho Nézo, 16 anos, em 2 fevereiro de 2016.

Todos os cinco réus foram condenados pelos sete crimes pelos quais foram denunciados - cárcere privado, homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, tortura e dissimulação, destruição de cadáver, ocultação de cadáver, vilipêndio e formação de quadrilha. A cabeça da vítima foi encontrada no início da noite de 2 de fevereiro do ano passado em uma esquina no bairro Jardim Paraíso, na zona Norte da cidade, mas até hoje o corpo da vítima não foi encontrado e os acusados continuaram negando o envolvimento no crime.

CONFIRA AS PENAS DE CADA UM DOS ASSASSINOS:

Henrique Alexandre Guimarães, 21 anos: condenado a 32 anos e um mês de prisão

Jonathan Luis Carneiro, 21 anos: condenado a 28 anos e cinco meses de prisão

Leonardo Felipe Bastos, 19 anos: condenado a 26 anos e seis meses de prisão

Luciano da Silva Costa, 23 anos: condenado a 28 anos e sete meses de prisão

Thomaz Anderson Rodrigues, 18 anos: condenado a 22 anos e três meses de prisão

 

Por questões de segurança, nem a família da vítima nem as dos acusados ou mesmo estudantes de direito puderam assistir ao julgamento, que ocorreu a portas fechadas, acompanhado por forte aparato policial montado dentro e no entorno do Fórum de Joinville.

Os outros dois réus, Carlos Alexandre de Melo, o Neguinho, de 28 anos, o último a ser preso, em 31 de agosto, teve o julgamento desmembrado, pois a defensoria solicitou um exame de sanidade que não foi realizado em tempo. Valter Carlos Mendes, 34 anos, será julgado separadamente, pois havia recorrido.

Guilherme Luís Lutz Morelli atuou como promotor. Na defesa, os defensores públicos Vinicius Manuel Ignácio Garcia e Fernanda Aparecida Silva de Menezes e os advogados James José da Silva e Antônio Luiz Lavarda.

Nas imagens da decapitação, homens aparecem mascarados (Foto: Reprodução)

As imagens da decapitação mostram os assassinos mascarados |Foto Reprodução Redes Sociais

Como foi o caso

– Duas pessoas próximas a Israel Melo Júnior foram sequestradas e mantidas em cativeiro por 24 horas, sem comida e água. Os envolvidos no crime utilizaram os celulares das vítimas para enviar uma mensagem para o adolescente convidando-o para uma suposta festa no bairro Ulysses Guimarães, zona Sul de Joinville, local onde as vítimas eram mantidas em cárcere.

– Assim que Juninho chegou ao local, foi capturado e após longa negociação as duas pessoas, que também seriam executadas, foram liberadas. Isso porque uma delas era conhecida de um dos assassinos.

– O adolescente foi mantido em poder do grupo que passou a torturá-lo por quase 24 horas, segundo laudo do IGP (Instituto Geral de Perícias).

– Juninho foi morto e o corpo levado a uma pequena ilha em uma região de mangue próxima ao local que serviu como cativeiro. Nesta ilha, já morto, foi decapitado e a ação gravada e divulgada na internet em uma edição ao som de um funk que diz “aprende a respeitar o homem….”

– Os criminosos colocaram a cabeça em uma sacola e a transportaram até o Jardim Paraíso, zona Norte de Joinville. Ela foi encontrada no início da noite de terça-feira (2) na esquina da Estrada Timbé com a rua Titan.

– No dia 5 de abril ocorreram as duas primeiras prisões: Leonardo Felipe Bastos e Luciano da Silva Costa foram detidos.

– No dia 13 de abril, a polícia apresentou outros suspeitos: Jonathan Luiz Carneiro, Henrique Alexandre Guimarães e Valter Carlos Mendes. (Neste mesmo dia, a polícia apresentou novamente Luciano da Silva Costa. Ele havia sido preso no local apontado como palco da morte de Juninho com um rádio usado para interceptar a frequência utilizada pela PM).

– No dia 4 de maio, Thomaz Anderson Rodrigues foi detido ao visitar a mãe, internada no PA Norte, e apresentado pela Polícia Civil.

– No dia 10 de maio, as equipes de investigação da Delegacia de Homicídios realizaram buscas na região de mangue apontada como local da decapitação de Juninho. A polícia identificou o local exato da decapitação e encontrou materiais utilizados, como machado, lençol, toalha, sapato preto, mochila com cal.

– No dia 11 de maio, em novas buscas no mesmo local, a polícia encontrou a luva cirúrgica utilizada no crime. O corpo até hoje não foi encontrado.

– No dia 20 de maio, a polícia encerrou e encaminhou o inquérito ao Ministério Público.

– No dia 31 de agosto, Carlos Alexandre de Melo foi preso pela equipe da Delegacia de Homicídios na zona Norte de Joinville. Ele era o último acusado de sequestrar, torturar, matar e decapitar Juninho.

– No dia 4 de outubro, a primeira audiência foi realizada e ouviu duas testemunhas protegidas do caso.

– No dia 5 de outubro, a juíza deu sequência e realizou a segunda audiência também com o objetivo de ouvir testemunhas protegidas.

– No dia 18 de outubro, a terceira audiência do caso foi realizada no Fórum de Joinville. Entre as sete testemunhas de acusação, a equipe da Delegacia de Homicídios, que participou da investigação do caso foi ouvida.

– Nova audiência foi realizada no dia 28 de novembro, onde testemunhas de defesa e réus foram ouvidos pela Justiça.

* Com colaboração de Adrieli Evarini

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