Os irmãos Patrick e Jonatan Machado Fuckner, que confessaram a autoria do assassinato do motorista Allan Tietz, em novembro de 2017, querem desqualificar o crime de latrocínio – matar para roubar - que pesa sobre eles. A dupla, presa em Curitiba na manhã de segunda-feira (27), durante depoimento ao delegado Leandro Sales, titular da Divisão de Furtos e Roubos (DFR), tentou argumentar que cometeu um homicídio simples, motivado por uma reação de Allan após ser cobrado por uma suposta dívida de drogas.

Para a advogada criminalista Viviane Mendonça Bertholo, os dois buscam uma condenação menor pelo crime que admitiram ter cometido. Embora não os conheça, com base no que foi divulgado na mídia sobre o caso, Viviane relata que é muito difícil que os irmãos consigam mudar a linha de investigação realizada até o momento pela Polícia Civil.

O caso foi solucionado pelo delegado Eric Issao Uratani, antecessor dos delegados Leandro Mioto, Leandro Sales no comando da Divisão de Furtos e Roubos. Uratani, assim como Mioto e Sales, têm convicção de que dinheiro e outros pertences de Allan, além do veículo, encontrado depenado em Curitiba, foram roubados após a morte do taxista. “Se sumiu qualquer objeto da vítima, é considerado latrocínio. A qualificação é bem clara”, comenta a advogada.

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Apesar da pena de homicídio simples, de seis a 12 anos, ser menor que a de latrocínio, de 20 a 30 anos, há as qualificações que podem ser aplicadas à condenação da dupla. “A morte por motivo torpe, por meio cruel ou com emboscada são algumas das qualificadoras. A condenação subiria para uma pena entre 12 e 30 anos, que seria a pena máxima de um latrocínio. Para uma tese defensiva, descaracterizando o latrocínio e caracterizando apenas um homicídio, eu acho, do meu ponto de vista, uma estratégia muito arriscada”, afirma Viviane, ao ressaltar que o Ministério Público pode ainda acusar a dupla de ocultação de cadáver.

A advogada explica que todos os indícios apontam contra os irmãos Fuckner e à ideia de que houve um latrocínio no dia 22 de novembro de 2017. Segundo ela, não há atenuante. O crime foi premeditado, foi armado, não houve chance de defesa.

“Agora, é muito fácil dizer que a faca era do taxista. Se o cara está trabalhando, ele vai querer andar de acordo com uma legislação. Qual o taxista que vai andar com uma faca para ser importunado? O trabalho dele já está difícil por causa da concorrência com o Uber. Então, eles procuram andar o mais correto possível”, destaca.

Os julgamentos de homicídio (crime contra a vida) são julgados no Tribunal do Júri. Em Jaraguá do Sul, ele é composto por sete pessoas que decidem se o réu é culpado ou inocente. No caso do latrocínio (crime contra o patrimônio) o julgamento é feito sem os jurados. “Os jurados são leigos e são influenciados pela emoção, principalmente em um caso de grande repercussão. No caso de latrocínio, é um julgamento com uma defesa técnica, onde o advogado apresenta as provas para o juiz, o depoimento, imagens e vai ser o único responsável pela defesa. Se eu fosse advogada deles, não os submeteria a júri”, finaliza.

Do desaparecimento à prisão

O taxista Allan Tietz, de 24 anos, aceitou uma corrida até Curitiba no dia 22 de novembro de 2017. Os contratantes disseram que iriam a um funeral. A família de Allan estranhou seu desaparecimento e logo uma rede começou a ser formada em busca do jovem. O veículo foi encontrado depenado no dia seguinte e com marcas de sangue, em Curitiba. As buscas se intensificaram e, após seis dias de procura, o corpo foi encontrado em uma pequena estrada paralela à BR-101, em Garuva, no Norte de Santa Catarina.

Dentro do veículo foram encontrados um bilhete de pedágio e um recibo de pagamento de crédito de celular. No local da compra, os policiais civis encontraram as imagens do momento da compra e identificaram os dois suspeitos de matar o taxista.

Durante meses, agentes da DFR, com o apoio das polícias Civil e Militar do Paraná e Santa Catarina, realizaram diversas diligências para encontrar os suspeitos. Após nove meses, os policiais encontraram os dois na Vila Parolin, favela localizada na região central de Curitiba. Ambos já estão recolhidos ao Presídio Regional de Jaraguá do Sul, onde a diretoria informou ontem não ser um deles um preso que se envolveu com briga com outro colega de cela.