No mês em que completa um ano, o caso Andreia Araújo será julgado em Jaraguá do Sul. Marcelo Kroin, 40 anos, acusado de matar a companheira em sua residência, responderá ao Tribunal do Júri nesta terça-feira (20).

O promotor do caso, Marcelo Cota, destaca que o episódio ganhou uma repercussão nacional justamente pela sua gravidade. Ele afirma que não é admissível que a sociedade aceite casos em que mulheres percam a vida sob essas circunstâncias.

“Não podemos mais perder nossas mulheres após serem agredidas por pessoas que deveriam protegê-las. No caso da Andreia, ela foi morta no local onde era mais vulnerável e onde ela deveria se sentir mais segura, na sua casa”, comenta o promotor.

Baseado no inquérito policial e nas provas geradas pela perícia, Cota tem convicção que Kroin assassinou a companheira de maneira cruel após uma discussão banal. Depois, ele tentou ocultar o cadáver da vítima.

Kroin foi acusado de homicídio triplamente qualificado. Além do feminicídio, homicídio praticado contra mulher no âmbito doméstico, ele é acusado de ter cometido o assassinato asfixiando Andreia, usando recurso que dificultou a defesa da vítima.

"A tendência é a condenação do Marcelo. Em todos os júris deste ano e do ano passado, os agressores foram condenados", pondera.

Cota destaca que Kroin teve um comportamento frio após o crime. Ele ficou com o corpo em sua casa durante a manhã do dia 5 de agosto de 2018. De tarde, levou o corpo de Andreia enrolado em um cobertor no banco do motorista até Canoinhas.

 

 

“Ele voltou e ainda tentou marcar um churrasco com o amigo. Ficou com o corpo no carro até ser surpreendido pela polícia. E, mesmo assim, tentou despistar dizendo que a Andreia estava dormindo e que não tinha acontecido nada”, lembra.

Defesa garante que foi acidente

O advogado de Kroin, Sebastião da Silva Camargo, afirma que a morte de Andreia foi acidental, ou seja, o homicídio foi culposo. Em nota, o profissional explica que a vítima tinha uma personalidade complexa, com oito boletins de ocorrência policial.

“Merece destaque, para a compreensão dos fatos que ocorreram naquele trágico dia, um boletim de ocorrência policial datado em 2 de maio de 2010, em Guaramirim, quando a senhora Andreia Araújo já havia atacado o primeiro companheiro desferindo um golpe de faca, que atingiu o pescoço do mesmo”, afirma a nota.

Camargo afirma que Kroin não confessou que matou a vítima de forma dolosa, com intenção de matar, como foi divulgado pela imprensa. O acusado garante, por meio do seu advogado, que lamenta profundamente a morte da ex-companheira e a dor vivida pelas famílias após o crime.

“Ele nunca confessou ter assassinado a Andreia de forma intencional. Naquele dia, houve agressões mútuas e essa situação resultou na morte dela. Marcelo não desejou a morte dela. No processo, há muitos elementos que provam isso”, conta Camargo.

 

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