Adultos vivendo em ritmo acelerado e intenso, sempre com pressa, mas sem tempo para atividade física e relaxamento. Crianças e adolescentes cada vez mais perdidos no universo virtual ou em frente à televisão, ingerindo alimentos ricos em açúcar e gordura.

A vida moderna mudou hábitos e ditou um novo ritmo. Em contrapartida, o sedentarismo e a dieta pobre em nutrientes tornaram a população mais obesa. Mas, que relação isso tem com o câncer?

No Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado nesta terça-feira (4), o OCP buscou respostas junto ao médico oncologista Luís Stoeberl, chefe da Oncologia do Hospital São José, em Jaraguá do Sul.

Como surge o câncer?

O especialista destaca que o surgimento do câncer envolve vários fatores, sendo os principais a hereditariedade, riscos ambientais e mutações genéticas ao acaso.

Segundo ele, os riscos ambientais podem ser afetados pela mudança de comportamentos sabidamente relacionados ao câncer.

Médico no consultório
Médico oncologista Luís Stoeberl destaca que tabagismo é um dos principais hábitos que aumentam incidência de câncer | Foto Fabio Junkes/OCP News

Stoeberl cita que o tabagismo é um dos principais fatores que aumentam a incidência não somente do câncer de pulmão, mas também do câncer de mama, boca, laringe, pâncreas, rins e bexiga.

Já os produtos químicos presentes nos alimentos processados industrialmente também estão implicados no surgimento do câncer de estômago, intestino grosso e esôfago.

“Um hábito alimentar com poucas fibras presentes em vegetais e frutas predispõe ao câncer intestinal. Alimentos enlatados e embutidos aumentam o risco de câncer do estômago. A presença de corantes artificiais como as anilinas está implicada no câncer de bexiga”, enumera o médico.

Dados do Ministério da Saúde divulgados em 2018, indicam que a obesidade já é uma realidade para 18,9% dos brasileiros. O sobrepeso atinge mais da metade da população (54%).

O sedentarismo, aliado a hábitos alimentares ricos em carboidratos, predispõem à obesidade, que é ligada ao aparecimento de diversos tipos de câncer, como mama, próstata, útero e intestino.

Narguilé aumenta riscos

Mulher fuma narguilé
Além de aumentar risco de alguns tipos de câncer, uso de narguilé compartilhado pode transmitir doenças como herpes, tuberculose e hepatite C | Foto Ilustrativa/O Paraná

O tabagismo é a principal causa de câncer de pulmão, sendo este o tipo de tumor de maior mortalidade atual nos homens.

O oncologista ressalta que apesar do hábito de fumar cigarros convencionais ter diminuído, o consumo de narguilé, introduzido em 2013, vem aumentando, principalmente no público jovem masculino.

“Apesar de parecer menos nocivo, o uso do narguilé aumenta o risco de câncer de pulmão, boca e bexiga, além de aumentar a incidência de doenças coronarianos e pulmonares”, exemplifica.

Segundo o médico, com o uso compartilhado do narguilé, ainda há maior possibilidade da transmissão de outras doenças, como o herpes, tuberculose e hepatite C.

Stoeberl acredita na necessidade de uma estratégia de prevenção do hábito de fumar narguilé, através me medidas educativas para evitar a experimentação e iniciação no público entre 13-25 anos.

Cigarro eletrônico = 40 cigarros de papel

O oncologista explica que o cigarro eletrônico também é tão perigoso para a saúde quanto o cigarro convencional, com o agravante de causar dependência muito mais rapidamente.

De acordo com o especialista, um cigarro eletrônico tem o equivalente à nicotina de 40 cigarros de papel, que é a substância responsável pela dependência química.

O líquido em que a nicotina é diluída nos cigarros eletrônicos, o propilenoglicol, é inofensivo em seu estado natural.

“No entanto, quando aquecido, transforma-se em formaldeído, que é cancerígeno e associado ao câncer de pulmão. O líquido dos cigarros eletrônicos é carregado de metais pesados que causam doenças respiratórias como fibrose pulmonar e doença pulmonar obstrutiva crônica (conhecida como bronquite crônica e enfisema)”, alerta.

Câncer de pele

Pessoas à beira-mar
Expor-se ao sol nos horários menos indicados, entre 10h e 16h, mesmo com protetor solar, representa perigo | Foto Arquivo/OCP News

As belas praias catarinenses concentram um grande número de pessoas no verão.

E, apesar de todos os alertas para que o sol entre 10h e 16h seja evitado, é comum encontrar crianças e adultos expostos banhando-se no mar e ou divertindo-se na areia.

Com efeito cumulativo, o sol pode ser grande inimigo quando o assunto é câncer.

O câncer de pele é o mais frequente na população em geral. Conforme Stoeberl, no sul do país, esse risco é ainda maior para qualquer das formas em que se apresenta: basocelular, escamocelular e melanoma.

 

 

Pessoas com nevus (pintas marrons) e exposição ao sol em horários inadequados são mais suscetíveis ao melanoma, uma forma agressiva de tumor de pele que tem o potencial de acometer outros órgãos do corpo (metástases).

“Existe muita controvérsia sobre a eficácia dos filtros solares na prevenção do câncer de pele”, salienta o médico.

Ainda faltam estudos que confirmem a diminuição do risco de surgimento do melanoma e carcinoma basocelular com o uso do produto, por exemplo.

“Assim, a melhor alternativa de prevenção seria a utilização dos filtros associada à menor exposição solar, e que esta seja feita em horários de menor intensidade solar: início da manhã e final da tarde”, orienta.

Dicas para prevenir o surgimento do câncer

Mulher escolhe frutas no mercado
Alimentação saudável e rica em nutrientes previne o câncer e outras doenças | Foto Arquivo/OCP News

  • Não fume. Essa é a regra mais importante para prevenir o câncer, principalmente os de pulmão, cavidade oral, laringe, faringe e esôfago.
  • Uma ingestão rica em alimentos de origem vegetal como frutas, legumes, verduras, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, e pobre em alimentos ultra processados, como aqueles prontos para consumo ou prontos para aquecer e bebidas adoçadas, pode prevenir o câncer.
  • Manter um peso saudável ao longo da vida é uma das formas mais importantes de se proteger contra o câncer. Isso se consegue com uma alimentação saudável e atividade física.
  • Amamente! O aleitamento materno é a primeira ação de alimentação saudável. A amamentação até os dois anos ou mais, sendo exclusiva até os seis meses de vida da criança, protege as mães contra o câncer de mama e as crianças contra a obesidade infantil.
  • Mulheres entre 25 e 64 anos devem fazer o exame preventivo do câncer do colo do útero a cada três anos.
  • Vacine contra o HPV as meninas de 9 a 14 anos e os meninos de 11 a 14 anos. Existe disponível no serviço público. Infecções pelo vírus do HPV (papiloma vírus) leva ao surgimento de 90% dos casos de câncer de colo uterino.
  • Evite a exposição ao sol entre 10h e 16h, e use sempre proteção adequada, como chapéu, barraca e protetor solar, inclusive nos lábios.

 

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