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Comportamento do dólar: faz sentido investir no exterior?

Por: Marco Ribeiro Noernberg

12/08/2026 - 10:08 - Atualizada em: 12/08/2026 - 10:43

O dólar vem mostrando um comportamento diferente do que muitos investidores brasileiros estão acostumados a ver em um ano marcado por incertezas. Depois de chegar a oscilar acima de R$5,40 ao longo de 2026, a moeda americana passou a ser negociada em patamares mais baixos, enquanto o real ganhou força diante de outras moedas. Ao mesmo tempo, o mercado continua projetando o dólar próximo de R$5,20 ao final deste ano.

O movimento reacende uma dúvida comum entre investidores: se o dólar está mais barato e pode continuar pressionado, ainda faz sentido manter parte do patrimônio investido no exterior?

Para o investidor, a resposta passa por uma mudança importante de perspectiva. Investir fora do Brasil não precisa significar apostar na alta do dólar. A exposição internacional pode ter um papel diferente dentro da carteira: diversificar o patrimônio, acessar outros mercados e reduzir a dependência dos resultados de uma única economia.

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Como esse cenário pode afetar a carteira de investimentos?

O câmbio é influenciado por uma combinação de fatores domésticos e internacionais. No Brasil, o nível dos juros continua relevante para a entrada de capital estrangeangeiro e para a valorização do real. No exterior, as expectativas para os juros americanos, o comportamento da economia dos Estados Unidos e os movimentos de aversão ao risco também ajudam a determinar a força do dólar.

Isso significa que tentar acertar o próximo movimento da moeda pode ser uma estratégia difícil até mesmo para investidores experientes. Uma queda do dólar não elimina a importância da diversificação internacional, assim como uma eventual valorização da moeda americana não deveria ser o único motivo para aumentar a exposição ao exterior.

Para quem investe com horizonte de longo prazo, a lógica é menos sobre prever a cotação de amanhã e mais sobre construir uma carteira que não dependa exclusivamente do cenário brasileiro. Ter ativos internacionais pode funcionar como uma forma de diversificação geográfica e de exposição a empresas, setores e economias que não estão disponíveis no mercado doméstico.

O cenário atual reforça justamente essa diferença. Mesmo com o real valorizado e o dólar pressionado, o mercado continua enxergando espaço para volatilidade até o fim do ano, especialmente com a aproximação das eleições brasileiras e as mudanças no ambiente internacional.

Diante disso, o investidor de longo prazo pode olhar para o câmbio com menos preocupação em acertar o “melhor momento” e mais atenção ao papel que os investimentos internacionais cumprem dentro da carteira. O dólar pode subir ou cair, mas a diversificação continua sendo uma estratégia que independe de acertar o próximo movimento da moeda.

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Marco Ribeiro Noernberg

Sócio e Head de Research e Líder Advisor na Manchester Investimentos, com formação em Administração e especialização em Mercado de Capitais. Possui certificações PQO, CNPI-P, CGA e CFP®️, atuando em análise de investimentos e planejamento financeiro.