Na segunda-feira, o dólar fechou a R$ 5,22 e o Ibovespa recuou pelo quarto pregão consecutivo. As novas pesquisas eleitorais e as expectativas para inflação e juros estavam entre os fatores acompanhados pelo mercado.
A reação aos movimentos eleitorais acontece antes da votação porque os preços dos ativos incorporam expectativas sobre o que pode acontecer a partir de 2027.
A política fiscal está no centro dessa discussão.
O próximo governo terá de lidar com uma dívida elevada, despesas obrigatórias e pouco espaço para ampliar gastos sem indicar como eles serão financiados. As propostas econômicas dos candidatos ganham relevância justamente por sinalizar como cada um pretende lidar com essas restrições.
Quando a percepção sobre as contas públicas muda, os efeitos aparecem primeiro nos juros futuros. Um cenário fiscal considerado mais arriscado pode aumentar a remuneração exigida pelos investidores para financiar a dívida. As taxas mais longas sobem e o custo de capital das empresas acompanha esse movimento.
O câmbio também reage. A percepção sobre o risco fiscal, o diferencial de juros e o fluxo de capital ajudam a determinar o valor do real frente ao dólar.
Na Bolsa, o efeito depende das características de cada empresa. Exportadoras, companhias voltadas ao mercado doméstico e negócios mais sensíveis aos juros podem responder de maneiras diferentes às mesmas mudanças de expectativa.
Por isso, acompanhar a eleição olhando apenas para pesquisas ou para a cotação do dólar não é suficiente.
O investidor não precisa acertar quem estará à frente nas pesquisas. Precisa entender o que uma mudança de cenário pode representar para os juros, o câmbio e os resultados das empresas.
A composição do Congresso será parte importante dessa conta. Câmara e Senado terão papel decisivo na aprovação de medidas econômicas, principalmente aquelas relacionadas às contas públicas. O resultado das eleições legislativas pode, portanto, alterar a percepção sobre a capacidade de execução do próximo governo.
Também é preciso separar o efeito eleitoral dos demais fatores que movimentam os mercados. Inflação, atividade econômica, decisões dos bancos centrais e o ambiente externo continuam influenciando os preços.
Parte do cenário eleitoral já está incorporada aos ativos. O restante dependerá da evolução das pesquisas, do resultado das urnas, da composição do Congresso e das primeiras decisões do próximo governo.
A eleição pode mudar os preços no curto prazo. A política econômica adotada depois dela é que vai definir se essa mudança será passageira ou se terá efeito sobre o ambiente de investimentos nos próximos anos.