“♫ A gente vai contra a corrente/ Até não poder resistir/ Na volta do barco é que sente/ O quanto deixou de cumprir/ Faz tempo que a gente cultiva/ A mais linda roseira que há/ Mas eis que chega a roda-viva/ E carrega a roseira pra lá” (Roda viva, Chico Buaque).

É ou era senso comum aquela percepção de que a história é escrita pelos vencedores. O que seria do comunismo se a União Soviética não tivesse se desintegrado? O que seria do nazismo se a Alemanha tivesse vencido a II Grande Guerra? E tantos outros “se” que seriam contados diferentemente se o perdedor tivesse vencido.

O fato das atrocidades cometidas pelos governos comunistas e nazistas serem indiscutíveis (apesar de alguns revisionistas e negacionistas de plantão) e manchas para a humanidade, não faz dos seus algozes santos. O que seria das bombas de Hiroshima e Nagasaki se os EUA estivessem do lado perdedor da guerra?

As vitórias (?) das versões

Dizem que as guerras são jogos de enganações. Faz sentido.

Mas quem são os vencedores hoje, considerando o mundo virtual tão presente na vida de todos, particulares, corporações, governos? Se antes a história era escrita pelos vencedores, agora parece mais importante saber não o que os vencedores escrevem, mas quem são, afinal, os vencedores?

Na obra “A eclosão do Twitter”, de Nick Bilton, sobre a origem desta rede social e seus criadores há uma afirmação interessante: “Na era do Twitter, a história é escrita por todos. Aqueles que falam mais alto, que conseguem contar a sua versão é que são os vencedores”.

O Twitter tem muita força nos EUA, diferente daqui. Entretanto, esse pensamento pode ser aplicado ao conjunto de rede sociais. E também faz sentido. Mais que fazer sentido, explica muita coisa.

Falta de educação

Muito além das mentiras e desinformações (ou fake news, como queiram), fofocas e cancelamentos que se disseminam pelas redes sociais e aplicativos de mensagens, as pessoas estão perdendo – parece que a cada dia mais – a noção de respeito com os próximos e os longínquos.

Um exemplo quase infame de tão bobo: outro dia almoçando com minha esposa num restaurante, uma mulher, na mesa ao lado, começou a ouvir um áudio de lamentação que alguma provável amiga havia lhe mandado. Era uma mistura de drama com fofoca que ninguém precisava saber, mas que um terço do restaurante deve ter escutado.

Por que a moça não colocou o aparelho na orelha ou usou um fone de ouvido? Porque era mal-educada mesmo, não teve o mínimo de respeito em relação às pessoas do seu entorno.

Quantas pessoas você conhece assim? Que acreditam que o mundo gira em torno de seu umbigo e que o que importa é o que lhes apraz, pura e simplesmente? E não só para ouvir alto em ambientes públicos coisas que não interessam a mais ninguém. A mesma postura é de quem “berra” nas redes sociais com suas versões e visões muitas vezes deturpadas ou distorcidas (propositadas ou não) do que é certo e errado, xingando as pessoas que discordam em vez de discutirem ideias.

Parece que estamos cada vez mais imersos no metaverso paralelo da falta de educação generalizada... roda mundo, roda-gigante, roda-moinho, roda pião...