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Reforma Tributária e o fim da guerra fiscal: uma nova lógica de competitividade regional

Por: Denilson Kasteller

23/02/2026 - 14:02 - Atualizada em: 23/02/2026 - 14:08

A Reforma Tributária brasileira não representa apenas a simplificação de tributos sobre o consumo. Ela inaugura uma mudança estrutural na forma como estados competem por investimentos e como empresas definem sua presença regional.

Durante décadas, a chamada “guerra fiscal” moldou decisões estratégicas no país. Estados utilizaram incentivos de ICMS como instrumento para atrair indústrias e centros de distribuição, muitas vezes compensando deficiências de infraestrutura, distância dos grandes mercados consumidores ou limitações logísticas. A variável tributária era, em muitos casos, o fator decisivo para a instalação de operações.

Com a implementação do IBS e a adoção do princípio da tributação no destino, essa lógica perde força. A arrecadação deixa de estar vinculada à origem da produção e passa a acompanhar o local do consumo. Na prática, os incentivos fiscais deixam de ser o principal motor de atração de investimentos.

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Isso não significa o fim da competitividade entre estados, mas sua reconfiguração. A disputa passa a se apoiar mais em fatores estruturais: qualidade da infraestrutura, eficiência logística, disponibilidade de mão de obra qualificada, ambiente regulatório estável e capacidade de planejamento regional.

Para as empresas, o novo cenário exige revisão estratégica. Cadeias de suprimentos, contratos logísticos e estruturas operacionais tendem a ser reavaliados sob a ótica do custo total da operação e da proximidade com o mercado consumidor. A decisão sobre onde produzir deixa de ser predominantemente fiscal e passa a ser essencialmente operacional e estratégica.

No médio e longo prazo, essa mudança pode favorecer uma alocação mais eficiente de investimentos e reduzir distorções históricas. Porém, no curto prazo, impõe ajustes relevantes tanto para o setor privado quanto para os governos estaduais.

A Reforma, portanto, não elimina a competição regional, ela a torna mais sofisticada. Estados que investirem em infraestrutura, governança e previsibilidade regulatória estarão melhor posicionados. E empresas que anteciparem essa nova dinâmica tendem a sair na frente.

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