“♫ E é eleição, é inflação, corrupção e como tem ladrão/ e assassino e terrorista e a guerra espacial!/ Socorro!/ Eu quero sexo! Me dá sexo!/ Como é que eu fico sem sexo?/ Sexo! Me dá sexo! Me dá sexo!/ Eu quero sexo!” (Sexo, Ultraje a Rigor).

Se a letra da música acima fosse escrita hoje, provavelmente teria “pandemia” no lugar de “guerra espacial”. Ligar a TV ou procurar notícias na internet invariavelmente significa ver eleição, inflação, corrupção, terrorismo e pandemia! Dá para acrescentar, ainda, desinformação e negacionismo.

Por isso, muita gente está se desconectando destas vibrações ruins e se conectando em algo, digamos, mais íntimo. E a pandemia acelerou algumas tendências.

Crescimento na pandemia

No começo da pandemia rolou a piadinha: agora os casados estão fazendo mais sexo que os solteiros! Na realidade, as pesquisas dizem que não foi bem assim. Os solteiros encontraram alternativas. Depende, apenas, do que cada um considera sexo.

Cresceu muito, por exemplo o número de adeptos do sexting, o “sexo por texto” ou mensagens mais calientes, muitas vezes culminando com troca de nudes. Também cresceram o sexo online ou virtual, aquele que vai além da simples troca de mensagens ou fotos, e o acesso aos sites especializados de pornografia (alguns indicadores apontam um incremento de 600% desde o início da pandemia).

O mercado de sex shop também não tem o que reclamar. Os negócios nesta área triplicaram em 2020 quando comparado com 2019, especialmente com as vendas online e, acreditem, para consumidores com mais de 60 anos. Os casais, de todas as idades, passaram a exercer mais sua criatividade: vibradores de controle à distância, por exemplo, estão entre os produtos que mais evoluíram nas vendas durante a pandemia.

Não dá para esquecer, ainda – para quem está disposto a gastar um pouco mais -, das bonecas sexuais, cada vez mais realistas e agora com sensores táteis e inteligência artificial que permite modular expressões, conversar e responder ao seu – como podemos chamar? – companheiro. Também existem bonecos nas mesmas condições para as mulheres.

Sexo híbrido

No final das contas, na maioria dos casos, porém, as pessoas ainda estão preferindo o contato pele a pele, apesar das limitações e cuidados impostos pelo coronavírus.

Por isso também cresceu o sexo híbrido, ou seja, metade online, metade ao vivo. As pessoas têm usado a tecnologia, os aplicativos, para iniciar suas práticas sexuais, mas, com o tempo, partem para o rala e rola em encontros ao vivo.

De todo modo, ficam os alertas de sempre: há pessoas do bem e do mal na internet. Golpes de cunho sexual acontecem constantemente, seja para extorquir financeiramente as vítimas, seja para relações não sadias ou violentas não consentidas principalmente contra mulheres.

Sexo é bom, (quase) todo mundo quer. Entretanto, para que não haja dor de cabeça depois, responsabilidade consigo próprio é um bom começo.