"Por que os ossos doem/
Enquanto a gente dorme/ Por
que os dentes caem/ Por onde
os filhos saem/ Por que os dedos
murcham/ Quando estou no
banho/ Por que as ruas enchem/
Quando está chovendo/ Quanto é
mil trilhões/ Vezes infinito”
(Oito anos, Paula Toller).

transformação digital pela qual o mundo passa está diretamente ligada à educação digital. Educação digital, por sua vez, nada mais é do que educação sob o prisma de uma nova realidade. Educação se faz, quando tratamos de crianças e adolescentes, com ensinamentos e, principalmente, exemplos.

Ao longo das últimas semanas conversamos sobre vários aspectos dessa nova realidade transformada pela tecnologia, inovação e disrupção. As crianças de hoje têm um infinito de informações na palma da mão, algo inimaginável há 20 anos para a maioria das pessoas.

Isso faz com que dúvidas e questionamentos sejam outros. Os pais têm que se esforçar cada vez mais para acompanhar o ritmo de seus filhos. Educação digital é, como insisto, um trabalho de parceria contínua entre família, escola e Estado. Entretanto, o exemplo vem de casa.

Adolescentes que dialogam com os pais apenas por aplicativos; crianças que levam smartphones para a mesa na hora das refeições; ou que interrompem a conversa dos adultos para mostrar um vídeo no Youtube; adolescentes que não pegam um livro para ler (ainda que seja pelo Kindle) porque “precisam maratonar” uma série no Netflix, ou simplesmente nunca pegam, são exemplos virtuais situações cada vez mais comuns.

Questiono os leitores se isso tem relação com os pais que param seus carros em lugar proibido para deixar o filho na escola; que ultrapassam pelo acostamento para chegar com a família mais rápido na praia; que não devolvem o troco recebido a mais; que não sentam com seus filhos para conversar sobre a escola; que mentem a idade dos filhos para pagar menos no parque de diversão; que esquecem de tudo (filhos, inclusive) porque “precisam maratonar” uma série no Netflix?

Eu poderia ficar três semanas escrevendo nessa coluna tanto dos filhos quanto dos pais. Mas não é preciso. O leitor já imaginou tantas outras situações que possivelmente eu nem lembraria.

O fato é que exemplos não são virtuais. São reais! Seja com ou sem tecnologia, os exemplos dos pais aos filhos são reais. E se queremos uma sociedade melhor nesse turbilhão de inovação contínuo, muitas atitudes devem ser repensadas.

Afinal, as perguntas do filho da Paula Toller não são tão simples quanto parecem.