“♫ Seria muito bom, seria muito legal/ Se cantor ou compositor/ Pudesse ser ator, ou jogador de futebol” (Assobiar ou chupar cana, Benito Di Paula).

Houve tempo – talvez ainda haja – em que as pessoas tinham verdadeiro orgulho de começar e terminar sua carreira na mesma empresa. Alguns, inclusive, ganhavam um sugestivo relógio como presente e homenagem. Por outro lado, comparava-se aquele cidadão que não parava em nenhum emprego com a pedra do ditado, aquela que muito rola não cria limo.

Os tempos mudaram e, embora ainda haja um certo estranhamento por parte dos mais conservadores, cada vez menos se vê pessoas terminando suas vidas profissionais onde iniciaram. Salvo se voltaram depois de muito aprendizado.

Aprendizado

Aprendizado. Essa, no fim das contas, é tônica das idas e vindas. Qualquer um com o mínimo de ambição almeja uma vida melhor, não necessariamente do ponto de vista financeiro. Então tem-se visto cada vez mais pessoas mudando de empregos em busca do ideal, ainda que o ideal, muitas vezes, não passe de uma miragem.

Contudo, ter experiências profissionais diferentes, em ambiente diferentes, com pressões diferentes e pessoas diferentes, pode ajudar na modelagem de profissionais mais versáteis, flexíveis e criativos.

A geração que já está aí e a que está chegando que o digam. Embora muitas vezes sejam atrapalhados pela dispersão – e isso é algo que pais, professores e sociedade terão que aprender a lidar e corrigir – os jovens têm uma dinâmica para ver o mundo que difere da dos seus pais e avós.

Conflitos geracionais sempre existiram, mas agora as mudanças estão radicais, obrigando um exercício hercúleo de compreensão mútua, o que nem sempre é fácil.

Muito ou muito pouco?

Com os nativos digitais e as experiências nas pontas dos dedos, o mundo dará passos cada vez mais largos a horizontes sequer imaginados há dez ou vinte anos. É um círculo vicioso – ou virtuoso: mais tecnologia, mais cidadãos digitais, que vão criar mais tecnologias que vão gerar mais cidadãos digitais.

Se for levado em conta também o crescimento vertiginoso que se verá daqui em diante de robôs substituindo os homens em quase todas as áreas, esta volatilidade da juventude poderá ser muito útil.

Mas ainda fica a pergunta para alguns: essa tendência a mudanças de empregos e até de áreas do conhecimento significa que teremos futuros profissionais brilhantes ou pouco engajados? Não há resposta hoje para tal pergunta, mas, claro, pessoas são diferentes e reagirão de formas diferentes aos desafios que estão chegando.

Entretanto, uma coisa parece certa. Hoje em dia não estranhe se vir a molecada assobiando e chupando cana, e com multiprofissões.