O divórcio entre o diretor de Habitação Luís Fernando Almeida e o PP era inevitável. O desgaste se arrastava há anos. Na campanha municipal, em 2016, Almeida, que durante os quatro anos do governo Dieter Janssen presidiu o Procon, chegou a levantar suspeitas de que estaria fazendo jogo duplo, pedindo votos tanto para coligação PMDB/ PP quanto para o ex-prefeito Ivo Konell, do PSB, com quem sua esposa tem um grau de parentesco. Uma foto dos dois em uma cafeteria na época da campanha circulou nos grupos de Whatsapp. Depois, na disputa pela presidência do PP, Almeida não conquistou o espaço que almejava e desde então mal conversa com a cúpula progressista, que o vê como oportunista e pouco confiável. Somado a isso, o relacionamento entre ele e a secretária de Assistência Social e Habitação, Maria Santin Camelo (PP), não é dos melhores e causa problemas na pasta.

Por isso, a filiação de Almeida no PMDB na noite de ontem não chegou a causar espanto. E com todos esses ingredientes, o divórcio não foi amigável. O presidente do PP, Ademir Izidoro, quase sempre contido nas suas afirmações públicas, não escondeu o descontentamento e disse que o partido vai fazer uma nova indicação ao governo para Habitação. “Já vai tarde. Mas o PP quer a Habitação, é um cargo nosso, o PMDB vai ter que decidir. Esse rapaz não tem uma conduta muito ética, parece biruta de aeroporto”, disse.

Almeida por sua vez, minimizou a troca. Garantiu que já tinha recebido diversos convites do PMDB e que decidiu aceitar em função da expressão da sigla e da admiração que nutre pelo deputado estadual Carlos Chiodini. Também afirmou que tem um grupo político de cerca de 150 pessoas que devem seguir seu caminho e assinar ficha no PMDB, entre elas, 30 que estavam no PP. “Saio deixando amigos. Construí minha carreira política no PP”, disse ele, que em 2016 fez 1.700 votos para Câmara de Vereadores.

Natália Petry não vê motivos para atrito

Antes de assinar a ficha de filiação de Luís Fernando Almeida, a presidente do PMDB Natália Petry disse à coluna que o fato não muda a relação entre as siglas governistas. Segundo ela, Almeida vinha demonstrando desejo de se filiar ao PMDB já algum tempo e acabou sendo recebido de braços abertos por atender tanto os requisitos políticos quanto técnicos. “As pessoas têm o direito de ir e vir. O PMDB não pode fechar as portas para um militante político que já demonstrou ter potencial. Se voltarmos no tempo, antes da eleição, o Anderson Kassner fez o cominho inverso, trocou o PMDB pelo PP e continuou, na época, no Samae”, argumenta.

PR pode ter novo presidente

O jovem David Horongoso, ligado a movimentos como o Escola Sem Partido e responsável pela vinda de Jair Bolsonaro ao município, pode presidir o PR em Jaraguá do Sul. O convite foi feito pelo deputado Jorginho Mello, que comanda a sigla no Estado. Horongoso diz que dará a resposta ainda nesta semana. O Partido Republicano tem 700 filiados no município.

Suplente na Câmara

O suplente Pastor José Nogueira Marinho (PRB) tomou posse ontem na Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul com plenário lotado. Ele ficará no cargo por 15 dias, período de licença não remunerada de Marcelindo Gruner (PTB). Marinho tem uma pauta em defesa da família e fez no último pleito 1.163 votos.

Última semana de Colombo

Raimundo Colombo (PSD) já prepara sua despedida. O governador licenciado passará oficialmente a ser ex-governador na sexta-feira, quando renuncia ao cargo. No discurso, mais uma vez, deve ressaltar a decisão de não aumentar impostos, da liderança de SC na geração de empregos e na reforma da previdência estadual.

Em foco:

Ivo Konell (PSB) no Politicando

  • O ex-prefeito Ivo Konell é o convidado da terceira edição do Politicando que já está no OCPonline. Na entrevista em vídeo, o presidente do PSB em Jaraguá do Sul falou sobre diversos temas. Anunciou que não tem intenção de participar das eleições deste ano, defendeu a candidatura da filha Fedra Konell à Assembleia Legislativa, e, mesmo aos 74 anos, não descarta concorrer novamente ao Paço Municipal, em 2020.
  • Na opinião do ex-deputado estadual por dois mandatos, a coligação já firmada entre PSD, PP, PSB, PDT e outros seis partidos como Pros, Solidariedade, Podemos, PRP, PSC e possivelmente o PCdoB, levará vantagem na eleição ao governo do Estado em outubro deste ano.
  • Segundo ele, mesmo com a expressão incontestável de Esperidião Amin, as tratativas apontam para o deputado Gelson Merisio como cabeça de chapa. O PMDB, até agora isolado, e o PSDB, surpreso com as denúncias de caixa 2 envolvendo o senador Paulo Bauer, ajudam a reforçar esse cenário, acredita.
  • No confuso tabuleiro eleitoral brasileiro, o ex-prefeito defendeu a prisão de Lula e disse que uma mudança no STF, proibindo a prisão em segunda instância, pode significar o fim da Lava Jato. Apesar de acreditar que há espaço para o novo, em Santa Catarina e no país, Konell diz que Jair Bolsonaro chegará com força ao pleito de outubro.
  • O ex-prefeito disse ainda que tanto o discurso de Lula quanto de Bolsonaro dividem o país em um momento de rivalidade política histórica entre direita e esquerda. Para ver a entrevista completa e outras edições do Politicando, basta acessar o www.ocponline.com.br.