Existem dois tipos de anticoncepcionais injetáveis, aqueles à base de estrogênio e progesterona, de uso mensal, e aqueles apenas de progesterona e de uso trimestral. Os métodos injetáveis são especialmente interessantes para as mulheres “esquecedoras”, aquelas que têm dificuldade em lembrar do uso diário do anticoncepcional oral.

Pacientes que se submeteram a cirurgia bariátrica (redução do estômago) mistas e disabsortivas como o “bypass gástrico” e “duodenal switch", não podem usar anticoncepcional oral, e podem fazer uso das injetáveis desde que respeitem as contraindicações (já falamos na coluna dos métodos anticoncepcionais hormonais).

Anticoncepcional injetável trimestral

As injeções trimestrais, ainda que usem apenas progesterona, têm as mesmas contraindicações que uso de estrogênio, como pressão alta, diabetes há mais de vinte anos, vários fatores associados que aumentam risco cardiovascular (infarto do coração e derrame). Por isso, sempre deve ser consultado um médico antes de serem iniciados.

Os métodos injetáveis trimestrais por terem apenas progesterona podem ser utilizados nas mulheres que amamentam. E como todo método a base apenas de progesterona existe uma grande reclamação de sangramentos aleatórios (indiferente do dia do mês e não podem ser programados), que acontecem mais frequentemente nos primeiros três meses de uso, e tendem a reduzir gradativamente até parar de sangrar completamente, o que ocorre entre 30% e 80% das mulheres.

Após a interrupção do uso da injeção, a ausência do sangramento pode persistir. Algumas mulheres demoram um ano para voltar a menstruar depois que param com as injeções.

Outros efeitos colaterais percebidos são dor de cabeça, tontura, mudanças de humor, ganho de peso, espinhas (acne), queda de cabelo e pelos. Novamente, eles ocorrem mais nos primeiros três meses, e tendem a melhorar, nem todas as mulheres experimentam esses sintomas, afinal cada mulher é única.

Existe uma restrição ao uso prolongado da injeção trimestral em função dos ossos ficarem "mais fracos”. Estudos indicam que o uso da injeção por mais de cinco anos (outros dizem que os efeitos já existem com mais de dois anos) ocorre uma diminuição da massa óssea, aumentando o risco dos ossos quebrarem (osteoporose). Este efeito melhora após interrupção do uso.

A eficácia da injeção trimestral é alta – 0,2 a 6 gestações/100 mulheres/1 ano, sendo mais eficiente que a pílula anticoncepcional. Os nomes comerciais variam muito: Medrogest®, Acemedrox®, Acetoflux, Contracep®, Prempro®, Farlutal®, Provera®, Depo Provera®, Repogen Conti®, Repogen Ciclo®, Selecta®, Cyclofemi®, Medroxon®, Demedrox®.

Anticoncepcional injetável mensal

Os injetáveis mensais possuem eficiência (0,5 a 3 gestações a cada 100 mulheres) e efeitos colaterais muito semelhante aos anticoncepcionais orais combinados (com estrogênio), reduz o sangramento, mas tipicamente não o interrompe por completo, melhora sintomas pré-menstruais e têm benefícios sobre a pele.

As contraindicações são aquelas que já falamos para o uso de estrogênio. Uma diferença com o injetável trimestral é que não está associado a ganho de peso visível, não possui tanta irregularidade menstrual como a trimestral. E como nos demais métodos hormonais combinados diminui risco de câncer de ovário, endométrio e de intestino.

Os injetáveis mensais tem uma variedade um pouco maior de formulações, são três ao todo no Brasil: Mesigyna ®; Perlutan®, Preg-Less® e Daiva; Ciclofemina® e Depomês.

As injeções devem ser aplicadas a cada 4 semanas, indiferente de novo sangramento vaginal, e caso não consiga fazer no dia certo, preferencialmente adiante o dia da injeção, nunca postergue. Teoricamente você pode aplicar em até sete dias de atraso, sem necessidade de método adicional (preservativo), mas pode ocorrer sangramentos de escape.

Os locais de aplicação variam: nas nádegas, coxa, abdome e quadril. Não é recomendado esfregar ou fazer compressas mornas no local de aplicação.

Existe disponível pelo SUS uma opção de injetável mensal e outro de injetável trimestral. Na dúvida converse com seu médico!

 

Referências Bibliográficas: Family Planning. A Global Handbook for Providers. World Health Organization. 2018. | Anticoncepção e Obesidade. Febrasgo. 2017. | Anticoncepção Hormonal Combinada. Protocolos Febrasgo. 2018. | - Ginecologia de Williams. 2° Edição. 2014.

Dra. Juliana Bizatto

(CRM/SC 16684 | RQE 15232)

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