Na última sexta-feira, dia 6 de setembro, foi comemorado o Dia do Sexo e, infelizmente, o fim de semana que seguiu a data foi marcado por uma polêmica, com a categorização de uma revista em quadrinho d’Os Vingadores como pornográfica, pois continha um beijo de dois heróis.

Um amigo bastante religioso compartilhou comigo a notícia e refletiu que, embora não fosse contrário a aceitar gays, existiria uma linha que dividiria a aceitação do incentivo.

Não é errado incentivar alguém a algo que, em si, não é errado. Incentivar um jovem a ser advogado, engenheiro ou professor, e incentivar qualquer pessoa a praticá-las não é errado. Incentivar alguém a uma profissão só se torna errado quando se tenta forçar a pessoa a escolher algo que não quer, e da mesma forma se dá com a orientação sexual.

Não poderíamos considerar como imposição quando alguém diz “engenheiros existem, sabia? Eles fazem muitos cálculos e projetos, e se você gosta disso ser engenheiro é uma opção”. Da mesma forma, não diríamos que um livro que tem como protagonista um engenheiro está incentivando os leitores a assumirem esta profissão.

Mostrar que diferentes profissões existem não força ninguém a ser qualquer coisa, da mesma forma, todas as orientações sexuais são igualmente válidas como formas de amar e desejar. Demonstrar que pessoas de todas as orientações sexuais existem não é coagir.

Imagine crescer numa família onde você é criado sabendo que a única profissão possível é ser advogado. Mas você percebe que não gosta muito de ler, mas gosta muito de cálculos. Como você não sabe que existem engenheiros ou outra profissão que envolva números, cresce achando que está condenado a ser um péssimo profissional e que terá que trabalhar com algo que desgosta pela vida toda.

Assim que cresce, se dá conta que existem, sim, outras profissões, e que sua família escondeu isto de você, se esforçou para que você não soubesse que poderia ser outra coisa. Se você quisesse ser advogado, talvez nem notasse um problema e pensasse que quem defende que crianças deveriam crescer conhecendo diferentes profissões fosse exagerado.

Mas para quem não queria ser advogado essa experiência foi de coação, de forçar. Da mesma forma é com a orientação sexual, seja ela qual for. Crescer tendo essa opção escondida ou mal falada é uma experiência de forçar a uma coisa só, fechando portas para quem não se encaixa.

Dizer que aceita, mas não querer incentivar é algo que mostra uma desvalorização desta diferença. Muita gente vê a aceitação de pessoas LGBT como um tipo de deficiência ou falha. Algo que você aprende a aceitar, mas não gostaria que ninguém fosse, que é algo ruim.

E isso não é aceitação, isso é julgamento sobre amor. Quem quer esconder a existência de gente LGBT no fim acaba criando um ambiente que as força a ter vidas infelizes e falsas, e que talvez condene familiares a sofrer assim.

Não mostrar que pessoas LGBT existem, isso sim é que é um “incentivo” forçado, que limita escolhas e vidas, que impede que pessoas se sintam confortáveis consigo mesmas, que fratura famílias ao forçar filhos para fora dos seus lares.

Uma atitude de amor real, de aceitação real, é sempre a melhor opção. Que acolhe a alegria e tenta proteger da tristeza, e que celebra a felicidade de quem a gente ama.

Francisco Hertel Maiochi - Espaço Ciclos
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