Desde o início da crise sanitária mundial que nós enfrentamos o consumo de álcool cresce vertiginosamente em todas as idades, especialmente nos adultos jovens. Na faixa etária dos 30 aos 39 anos mais de 35% dos entrevistados em um estudo realizado pela Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) confirmaram o consumo de doses excessivas em curtos períodos.

A história mostra que o abuso de drogas tende a elevar substancialmente após catástrofes globais, como guerras e pandemias. Tendo em vista o reflexo deste abuso de álcool no aumento da violência, principalmente nos feminicídios, vários governantes por recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde) impuseram medidas para restringir o consumo de bebidas alcoólicas nesta fase atual.

Um estudo observacional da Universidade de Oxford que avaliou o consumo auto-relatado de álcool de cerca de 25 mil pessoas no Reino Unido, mostrou que não há um limite seguro de uso da substância para a saúde, visto seu potencial de causar danos estruturais e funcionais ao cérebro.

A bebida afeta o córtex pré-frontal, parte do cérebro responsável pela moderação do comportamento, reduzindo a capacidade de senso crítico, o que pode levar pessoas com tendências agressivas a consumar atos violentos. O estudo revela que o consumo de álcool tem efeito em reduzir regiões cerebrais responsáveis pelo processamento de informações, inclusive a memória.

Condições de saúde como pressão alta e obesidade podem aumentar o risco destes prejuízos, é o que também aponta a pesquisa. Acrescento que o ensaio científico não identificou diferença relacionada ao tipo da bebida - como destilados ou fermentados.

A linha entre o uso recreativo e o nocivo é tênue. Para o diagnóstico de alcoolismo além da quantidade avalia-se também a motivação para a ingestão da substância e o efeito que se espera da droga. E mesmo nos casos que o consumo ocorre somente aos finais de semana se for a quantidade for nociva já se caracteriza como alcoolismo.

Nós médicos devemos ser enfáticos nos malefícios da ingestão de bebida alcoólica. A população precisa interromper a banalização do uso diário desta substância, os malefícios associados ao consumo frequente e nocivo são potencialmente graves.

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