Precisa-se conhecer aquele Brasil gigante, fora dos jornais e longe dos que “torcem pelos jacarés”, emergindo-se dos porões da má vontade, vergonha disseminada, cegueira pela lavagem cerebral e, principalmente, do complexo de “vira-latas”, um vírus impregnado desde a vinda de João VI, em 1808.

A quem é possível viajar, estudar ou viver em países mais desenvolvidos que o Brasil, a oportunidade de conhecer outras verdades, realidades, visões e culturas é algo de valor inestimável, muito-muito além daquelas despesas de locomoção, hospedagem, ingressos e, logicamente, de presentes para si e outros.

Aliás, não são "despesas", mas, sim, "investimentos" em si e seu futuro, pois ninguém volta igual a quando foi, a menos que seja cego, surdo e mudo, ou, ainda pior, enviesadamente teimoso!

Enfim, ao se estar no exterior, expandem-se horizontes culturais e emocionais. Vivendo em um mundo diferente, cheio de comidas e idiomas novos, outras abordagens de etiquetas sociais, mudança de ritmo, religiões, costumes, etc.

Isto sem contar que conhecer lugares novos desperta uma felicidade repentina que, muitas vezes, se inicia no momento em que se escolhe o destino da ida ao exterior.

Contudo, como toda viagem normal tem ida e ‘frida’ (codinome de ‘volta’, no dialeto ‘alemón’ regional), é natural que o retorno provoque comparações ainda mais nítidas, entre lá e cá, e reflexões sobre muitos pontos acerca deste nosso “berço esplêndido”.

Entretanto, precisa-se conhecer aquele Brasil, fora dos jornais e longe dos que “torcem pelos jacarés”, como lembra o comentarista Augusto Nunes, taxado, pelos “jacarés-maníacos”, como um dos porta-vozes da direita conservadora: “o PIB cresceu, mas vai diminuir, o dólar caiu, mas vai subir, os investimentos estrangeiros cresceram, mas todos especulativos...”.

Enquanto isso, a pujante realidade brasileira - mas, sim, claro, com muito ainda, a fazer - é esquecida nos porões da má vontade, da vergonha auto imputada, da cegueira pela lavagem cerebral e, principalmente, pelo chamado complexo de “vira-latas”, um vírus impregnado desde a vinda de João VI, em 1808, que, para atrair profissionais de nível superior a uma terra primitiva, intitulava de “doutores”, médicos, dentistas e advogados, herança maldita até hoje, onde roupa branca e terno substituem o estudo necessário para um doutoramento. Ou seja, “pangarés” com ‘dr.’ viram “cães de raça”.

O escritor Rubem Alves, para quem “pensar é voar sobre o que não se sabe”, lembra que, quando menino, aprendeu erroneamente que ao Brasil estava destinado um futuro grandioso, porque suas terras estavam cheias de riquezas, o que equivaleria a predizer que um homem seria um grande pintor por ser dono de uma loja de tintas. Afinal, “o que faz um quadro não é a tinta; são as ideias que moram na cabeça do pintor. São as ideias dançantes na cabeça que fazem as tintas bailar sobre a tela”.

Será que, sob este aspecto, somos um povo tão pobre? Pobre em ideias, que não sabe pensar?

Nisto “nos parecemos com os extintos dinossauros, que tinham excesso de massa muscular e cérebros de galinha”. Hoje, nas relações de troca entre países, o bem mais caro, o bem mais cuidadosamente guardado, são as ideias. É com as ideias que o mundo é feito. Prova disso são os tigres asiáticos (Japão, Coreia e Taiwan) que, pobres de recursos naturais, se enriqueceram por terem se especializado na arte de pensar.

Assim, apesar de tantos avanços econômicos e sociais no Brasil, nos últimos anos, para aproximá-lo de índices mais significativos, que tal, em vez de ficar sempre apenas apontando erros, por que não provocar soluções e, acima de tudo, agir em prol de um país melhor?! Pode-se começar, pela principal responsabilidade de um cidadão, além de ser um profissional de gabarito: escolher bem seus políticos, dando-lhes apenas uma chance (mandato único), se não corresponder. Nunca insistir!

No mais, ignorar provocações ideológicas que impeçam o progresso, bem como esquecer críticas não construtivas, tal como no ditado árabe, segundo o qual “enquanto os cães ladram, a caravana passa”.

O Brasil, por ora, ocupa a 12ª colocação em PIB, embora já tenha ocupado a 9ª colocação (em 2019) entre cerca de 195 países no mundo.

Assim, vale resgatar o “Brasil, ame-o ou deixe-o”, o mote do período militar (1964-1985)? Ou o “quem não vive para servir ao Brasil, não serve para viver no Brasil”?

Neste aspecto, viva a Ucrânia: enquanto houver um único ucraniano vivo, nesta guerra híbrida, o Putin que se cuide!

No caso do Brasil, somos nós mesmos a ameaça, se persistirmos no “deixa a vida me levar, leva eu”!

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Emílio Da Silva Neto

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