Por Nelson Luiz Pereira_conselheiro editorial do OCP

 

O Brasil é um país majoritariamente cristão. Em que pese a importância de todas as outras religiões, os cristãos celebram, no momento, a semana santa que culminará com a Páscoa.

Pelo segundo ano consecutivo os ritos desta tradição acontecem em meio a pandemia do novo coronavírus. Se respectiva tradição religiosa nos remete, essencialmente, à consciência da dor, o momento que estamos vivenciando também é caracterizado pela dor.

Perdas, incertezas e temores se alastram, envolvendo pobres e nobres. Diante de tal circunstância, a humanidade se nivelou à uma condição indesejada de igualdade. Todos estamos submetidos à mesma tragédia, independentemente de recursos ou poder.

A Páscoa possui no jejum, o simbolismo do sacrifício e conversão. Mas, é este, um breve jejum. A pandemia nos impôs o prolongado jejum do isolamento e restrições de toda ordem. Paradoxalmente, é este indesejado jejum que tem, efetivamente, desafiado as pessoas para a tolerância, diálogo, convívio com a família, generosidade, doação, paciência, novos propósitos de vida, ou seja, tudo o que pede a Páscoa.

Talvez seja essa a fundamental reflexão para a corrente semana pascal. Em um mundo caracterizado pela pressa e superficialidade, o que estamos permitindo que morra e renasça em cada um de nós?

Embora a Páscoa não precise ser privada do tradicional ovo, que ela possa promover, mais intensamente, um momento de força, reflexão e lucidez.

Se essa passagem santa nos lembra morte e ressureição, então que possamos deixar, em nossa condição terrena, morrer a intolerância, o ódio, o oportunismo, a desinformação, o egoísmo, e nos permitir ressuscitar o amor e a compaixão.