Por Nelson Luiz Pereira_conselheiro editorial do OCP

Quando uma pessoa é estuprada, a sociedade toda é estuprada. Se o estupro mata a alma da vítima, o estupro da justiça mata a esperança da sociedade.

Mais uma vez, a notícia repugnante da semana, que expõe, nacionalmente, Santa Catarina, revela a vulnerabilidade de nossa justiça perante o hediondo crime do estupro.

O processo criminal que envolveu o empresário André Camargo de Aranha, acusado pelo estupro à promoter Mariana Ferrer, acabou revelando a face espúria da justiça, protagonizada pelos ditos representantes da lei, advogado do réu, promotor e juiz.

De antemão, a Rede OCP de Comunicação, sempre atenta às demandas da sociedade no tocante à justiça, dignidade, direitos e deveres, manifesta, por meio deste Editorial, total repúdio pela descabida conduta com que se regeu o respectivo processo.

Espera-se que a pressão popular, juntamente com entidades idôneas, possa garantir a devida justiça ao caso. Sem a pretensão de julgamento do mérito, a realidade exige que se rompa com a cultura do estupro, impregnada, também, na justiça.

Há que se corrigir, algumas anomalias sociais ignoradas pela maioria das pessoas, e que, por conseguinte, potencializam essa mazela: i) A cultura do estupro é promovida desde o berço.

Padrões, scripts ou códigos já pré-programados como: “se for menino espera-se que seja aguerrido e pegador”; ii) dissemina-se a cultura do estupro na atitude rotineiro de compartilhamento de vídeos, imagens, comentários e piadas sexistas, coisificando a mulher; iii) ignora-se que o ato ilícito, por parte do agressor, se dá com a simples ausência de consentimento da vítima e não, necessariamente, com a agressão física.

Enfim, a violência de gênero, como um fenômeno arraigado em nossa cultura patriarcal, precisa ser extirpada, dando lugar ao respeito à dignidade das pessoas, independentemente de classe, etnia, sexo, gênero ou orientação sexual. E isso só é possível com muita educação.

 

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