A sociedade brasileira está encerrando mais um ano, impactada pelos efeitos da crise pandêmica. Se há conquistas a serem celebradas, então as mais dignas seriam a sobrevivência, a superação de traumas e o início de uma reconstrução.

Mas, enquanto isso, no Congresso Nacional, a realidade é bem diferente. Por lá o Papai Noel já chegou, e bem gordo. Na sexta-feira (17), o bom velhinho abriu o atochado saco e presenteou os parlamentares, por terem derrubado o veto do Executivo e, com isso, garantido o gordo presente de R$ 5,7 bilhões para financiamento do pleito 2022.

Esses recursos, provenientes de cada cidadão, diga-se de passagem, serão usados em ações de campanha como produção de propagandas, remuneração de marqueteiros, cabos eleitorais e viagens dos candidatos. Para recobrar a memória, que não é o forte do brasileiro quando o assunto é política, o fundo eleitoral foi criado em 2017 após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter proibido o financiamento empresarial de campanhas. No primeiro ano, em 2018, o fundo recebeu R$ 1,8 bilhão, em 2020 subiu para R$ 2,1 bilhões, e agora R$ 5,7 bilhões. Um crescimento exponencial sem parâmetro nem justificativa.

Cabe evidenciar, entretanto, que a “trapaça do fundão” votada, vetada e derrubada, não acabaria exitosa se dependesse, unicamente, do Estado de Santa Catarina, onde a “apertada” maioria votou contra. Confira aqui quem são os parlamentares catarinenses que votaram pelo robusto saco do Papai Noel.

Convenhamos, se esse fundão, que triplicou de valor, passou sorrateiramente por baixo do nariz do povo brasileiro, camuflado entre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), então, inquestionavelmente, esses recursos são provenientes da saúde, da educação, da habitação, da segurança, da infraestrutura, do saneamento, da cultura. Como imprensa regional, repudiamos esse fundão. A população também precisa se mobilizar. Afinal, “o poder emana do povo.”