Se a tragédia da pandemia do coronavírus, que já vitimou mais de meio milhão de brasileiros, não foi capaz de sensibilizar o Congresso Nacional, evitando a aprovação do fundão eleitoral de R$ 5,7 bilhões para 2022, então, definitivamente, o povo brasileiro acaba de assumir a condição de marionetes manipulados por titereiros.

A “trapaça do fundão” votada e aprovada a toque de caixa pela maioria dos deputados e senadores, aconteceu enquanto o povo dormia. Oras, se esse fundão que triplicou de valor, passou sorrateiramente, no apagar das luzes, mimetizado com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), então, inquestionavelmente, deve-se admitir que esses recursos são provenientes da saúde, da educação, da habitação, da segurança, da infraestrutura, do saneamento, da cultura.

O argumento “gambiarra” de parlamentares que votaram ‘sim’, alegando que o ‘sim’ não era para o fundão, mas ‘sim’ para a LDO, é a velha ‘história pra boi dormir’, isto ‘sim’. Foi uma artimanha despudorada, previamente planejada. Portanto, qualquer cidadão que saiba fazer conta básica, concluirá que estamos pagando caro demais para votar em quem nos representa de menos.

Neste momento contingencial, a vida, a saúde e os negócios das pessoas têm necessidade premente. O fundão eleitoral NÃO. Sendo assim, como meio de comunicação comprometido com o bem social, cabe-nos o papel de porta-voz da comunidade, conclamando nossos representantes eleitos a se manifestarem e agirem, efetivamente, para que essa decisão insensível e oportunista seja revertida. Por fim, cabe evidenciar que, esse trabalho não pode ser exercido somente pela imprensa.

A população também precisa se mobilizar, nas redes sociais e nas ruas. Não se pode ignorar que, se há algo que a classe política respeita sobremaneira, é a força das manifestações populares. “O poder emana do povo.”