Hoje, abro espaço para a vice-reitora e pro-reitoria acadêmica da Católica SC, Anadir Elenir Pradi Vendruscolo, falar sobre o papel essencial que a mulher desenvolve no ensino superior. Ninguém melhor do que ela para abordar esse assunto com vocês, leitores.
“No dia 8 de março, eu, juntamente com outras mulheres atuantes na educação, serei homenageada na Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul pela contribuição ao ensino de toda a região. Imensamente grata pelo convite, reflito sobre os desafios que nós, mulheres, passamos para chegar a cargos como esses, em faculdades, pós-graduações, mestrados e doutorados.
O acesso da mulher ao ensino regular já foi uma árdua conquista. Depois, para podermos ingressar no ensino superior, precisamos lutar mais uma vez. O espaço acadêmico era visto como um ambiente masculino. Hoje, nós somos maioria em todos os níveis de ensino superior e graduação no país. Buscamos nosso espaço e criamos raízes.
Em relação à docência feminina, também traçamos uma trajetória de desafios e, felizmente, vitórias. A mulher foi inserida na educação pela necessidade de entrar no mercado de trabalho e pelo fato da sociedade considerar que ensinar crianças era um papel ideal para exercemos. Nossa atuação como professoras ganhou ênfase com o surgimento dos grupos escolares no fim do século XIX e início do século XX, e com a formação do magistério que acontecia nas escolas normais. Ao longo dos anos, com as mudanças sociais e movimentos organizados como o feminismo, ressignificamos a profissão, destacando a importância de educar e formar adultos com pensamento crítico e criativo.
Atualmente, trabalhamos seguindo esse novo perfil do professor. O que fazemos não é apenas transmitir conhecimento. O ensino é a base para produzirmos ciência e propagá-la na sociedade, considerando que, muitas vezes, tal área pode parecer distante da compreensão popular, ou até mesmo, distante da própria população. Sociedade, ciência e educação são a base para o desenvolvimento, e nós, mulheres, fazemos parte disso.
Historicamente, temos diversas educadoras e cientistas que fizeram a diferença. A bióloga paulista Bertha Lutz (1894-1976), por exemplo, foi a segunda mulher a ingressar no serviço público brasileiro. Trabalhou no Museu Nacional por mais de quatro décadas e construiu uma reputação internacional como cientista. Em 1951, foi premiada como Mulher das Américas e, em 1952, foi a representante do Brasil na Comissão de Estatutos da Mulher das Nações Unidas, comissão criada por iniciativa sua. Também atuou como deputada federal. Johanna Döbereiner, nascida na Checoslováquia em 1924 e naturalizada brasileira em 1956, foi uma engenheira agrônoma que revolucionou a agricultura. Demonstrou que na sojicultura era possível utilizar certos tipos de bactérias que fixam o nitrogênio, dispensando o adubo mineral, que é caro e nocivo ao meio ambiente. Durante os anos 1990, Johanna era a mulher brasileira mais citada pela comunidade científica e, em 1997, foi indicada ao Nobel de Química.
Duilia Fernandes de Mello é mais uma das grandes cientistas brasileiras no exterior, atuando como astrônoma e professora titular de física e astronomia em Washington. Nos Estados Unidos, tornou-se pesquisadora associada do Goddard Space Flight Center da NASA. Duilia foi quem descobriu a maior galáxia espiral já conhecida, a NGC6872. Outro importante nome é Suzana Herculano-Houzel, formada em biologia genética pela UFRJ, com doutorado pela Universidade de Paris e pós-doutorado na Alemanha. Desde 2016, ela leciona e pesquisa na Universidade Vanderbilt, nos EUA. Além de atuar na área acadêmica, Suzana escreve para uma série de jornais sobre neurociência tentando alcançar um público mais amplo - não especializado - e colabora com alguns roteiros para a televisão, como em quadros pontuais do Fantástico.

Com esses significativos exemplos, finalizo esta coluna destacando a força e a competência da mulher. Faz parte da nossa essência superar as adversidades, encontrar soluções para o que parece impossível, buscar e construir conhecimento, empreender, lutar pelos nossos direitos e ser protagonista da própria história!"