DE CAUSAR ESPANTO – PARTE I

No ano de 1994, período da implantação da base de distribuição da Petrobras em Guaramirim, a empreiteira que executava a obra montou um canteiro que mais parecia o retrato de um regime de escravidão.
Análogo à escravidão seria um elogio, imerecido, por sinal.
O caso virou uma ação trabalhista com dezenas de envolvidos e claro, a Petrobras solidariamente.
Por curiosidade, o questionamento foi:
- Em que pé estaria? Foi resolvido? Houve decisão?
Procurei pelo patrono da causa jurídica e pasmem: transcorridos 28 anos, a decisão ainda está pendente.
E aí vem uma saraivada de perguntas:
- Por que?
- Qual a dificuldade?
- As partes sumiram?
- Demandados e demandantes viraram fumaça?
- Como pode demorar tanto?

DE CAUSAR ESPANTO – PARTE II

Li atentamente, a decisão do Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, a qual desbloqueou as contas bancárias de empresários “caçados” por Sua Excelência, somente por conversas em um grupo de Whatsapp, vazadas numa reportagem de um site de notícias, sem mais nada de concreto.
Além dos atos infundados do Ministro (sem conhecimento e participação do Ministério Público), a justificativa para o bloqueio das referidas contas bancários, salvo melhor juízo, beira ao delírio ou vindo de alguém com sérios problemas que a psiquiatria explica.
Segundo Moraes, as contas foram bloqueadas “para impedir o financiamento de atos antidemocráticos no dia 7 de setembro”.
Se as manifestações foram antidemocráticas (até fascistas para alguns), os bloqueios não resolveram nada.
Deixa-nos pasmos, boquiabertos, boquipásmicos, a anuência do Senado Federal que não enxerga (se enxerga não reage) um Ministro do STF rasgando a Constituição Federal a cada meia hora.

NÃO MENOS ESPANTOSO

O fato está sendo registrado em todos os partidos políticos e não se trata de privilégio de Santa Catarina, mas do Brasil todo: candidatos estão desistindo de suas campanhas por absoluta falta de recursos financeiros.
Acontece que muita gente acreditou no “canto mágico do dinheiro”, aqui fartamente conhecido como “Fundão Eleitoral”.
Já explicamos as diferenças entre Fundo Partidário e Fundão Eleitoral (leia a edição anterior).
Muitos foram convidados para a disputa do pleito e exatamente com a promessa das “verbas públicas custeadoras de campanhas”.
Deram com os burros n’água!
Existem situações mais delicadas: candidatos que gastaram alguns milhares de reais com material gráfico e que não viram a cor e nem o tilintar das moedas.
Encontrar desistentes com R$ 15 ou R$ 20 mil de dívida em gráfica está facílimo.
Não só estão muito bravos, mas também viraram a casaca e estão pedindo votos para outros candidatos, adversários, lógico.

BANALIZAÇÃO DA VIDA

Falávamos recentemente numa roda de amigos (velhos amigos) sobre a banalização da vida, o pouco valor que o mal intencionado dá pelo seu semelhante.
É possível citar “ene”casos e nos mais diferentes graus de requintes de crueldade, onde o produto do latrocínio chegou a duas ou três centenas de reais.
Trata-se de uma inversão de valores que, além de impiedosa, também provoca revolta nos que ficam e naqueles que sustentarão os presos, caso aconteça.
A vida vale vintém, infelizmente.