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No imaginário comum, Pilates é “alongamento”

Por: Andreia Chiavini

09/01/2026 - 10:01 - Atualizada em: 09/01/2026 - 10:15

No imaginário comum, Pilates é “alongamento”. Durante anos — e isso ainda acontece — o Pilates foi reduzido à ideia de aula de alongamento. “Vou para o Pilates para me alongar”. Mas o criador do método, Joseph Pilates, não criou um método de alongamento; ele criou um método de reorganização do corpo.

Alongar por alongar qualquer um propõe. Muitos cursos ensinaram os profissionais a dividirem as aulas em exercícios de braços, pernas, tronco, abdominal e alongamento. Confesso que, no início da minha trajetória no método Pilates, minhas aulas eram assim. Tudo separado, como se o corpo funcionasse em partes e fôssemos abrindo gavetas para executar exercícios.

A aula virava uma soma de partes: um pouco de tudo, sem pensar no processo. Eu já não estava mais feliz com aquele formato. Era mais do mesmo e eu não saía do lugar. Ensinar o corpo a ganhar espaço com consciência é outro nível.

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O corpo é um sistema que funciona integralmente e, na visão de Joseph Pilates, cada exercício trabalha o corpo como um todo, não em partes isoladas. E é aqui que muitas formações param: na promessa do alongamento, sem explicar a lógica por trás do método Pilates, da Contrologia.

Foi através da minha formação em Pilates Clássico que entendi exatamente como o método funciona. Sim, o método é formado por detalhes, por entendimento dos exercícios, pela compreensão de como conduzir e melhorar cada corpo. É sobre aplicar decisões conscientes, mesmo diante de situações desafiadoras, e ter raciocínio dentro do método — não inventar exercícios apenas para agradar alunos.

Voltar para a origem do método me fez entender o sistema e perceber que o alongamento acontece o tempo todo da aula. As forças em oposição, o trabalho contra e a favor da gravidade, o ganho de espaço, o controle articular e a mobilidade real estão presentes do início ao fim.

As molas não estão ali apenas para criar resistência. Elas treinam o controle excêntrico, o retorno e o refinamento do movimento, o sustentar e o dominar melhor. A sensação pode ser de alongamento, mas, na verdade, é uma sensação de transformação, pois o corpo não trabalha fragmentado como eu fazia antigamente.

Por que o Pilates Clássico é diferente? Porque quem estuda o Clássico não busca atalhos. Cada exercício é um capítulo da mesma história, que constrói o próximo passo com responsabilidade, sem fórmulas mágicas e sem promessas artificiais.

Ele é educativo, ensinado como linguagem, não apenas como movimento. Existe um processo, com decisões conscientes, que organiza o corpo, educa o movimento e reconecta a mente com o corpo. Na Contrologia — nome dado ao método por Joseph Pilates — a flexibilidade não é um fim isolado, é consequência de um corpo que aprende a se organizar.

Quando o profissional entende isso, ele deixa de ser um repassador de sequências de alongamentos e passa a ser Método Pilates, de fato. Eles se diferenciam pelo domínio do método, não pelo marketing. Não param de estudar e têm sede de aprendizado.

Se o “Pilates que alonga” já não te satisfaz mais, não te leva a outros níveis de consciência corporal, está na hora de experimentar o sistema Pilates inteiro. Experimente. Será uma experiência extraordinária.

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Andreia Chiavini

Fisioterapeuta especialista em Fisiologista do Exercício e Certificada em Pilates, TRX e RPG. Crefito: 77269-F.