As máquinas recolhem entulhos e destroços no coração da Vila Freitas, em Guaramirim, lugar onde há um tempo atrás moravam 10 famílias que do dia para noite viram suas casas se tornarem ruínas. Quase 200 dias depois do deslizamento de terra que atingiu o km 34 da SC-108, essas pessoas ainda lutam para conquistar um novo lar e seguir em frente.

Na manhã do dia 18 de fevereiro, a cabeleireira Gilda Nogueira, de 57 anos, recebeu um telefonema que mudou seus planos para 2019. "Contaram que uma barreira havia atingido minha casa." Chegando no local, ela percebeu que o estrago foi muito maior do que uma barreira.

"Eu perguntei onde estava minha casa. Meus pés paralisaram naquele momento e eu não conseguia nem raciocinar o que havia acontecido", destaca.

Após sua morada ser destruída pelo deslizamento, Gilda passou duas semanas na casa de sua filha no bairro Barro Branco. Depois desse período, com auxílio da Prefeitura de Guaramirim, ela alugou uma casa no mesmo bairro, onde está residindo sozinha até hoje.

Gilda está morando em uma casa alugada no bairro Barro Branco | Foto Eduardo Montecino/OCP News

"Nunca vai ser como a minha casa. Eu acordo aqui (na nova casa) e fico perdida, não sei o que faço. Não é fácil sair de um lugar que eu morava há mais de 15 anos", enfatiza.

Mesmo assim, Gilda que quer recomeçar sua vida, já consultou o valor da casa de aluguel que está morando para conseguir comprá-la. O interesse em efetivar o negócio é grande, mas primeiro ela precisa ser indenizada para conseguir sair do aluguel. O prefeito de Guaramirim Luís Antônio Chiodini (PP), explica que a Defesa Civil está trabalhando esta questão.

Nada como a própria casa

Da varanda da casa de Maria Teresinha Pereira, de 64 anos, ela costumava ver as casas que moldavam o coração da Vila de Freitas. Agora, a vista remete ao cenário triste dos destroços causados pelo deslizamento. Depois de seis meses vivendo em uma casa alugada, Maria voltou ao seu lar na semana passada.

Vista da varanda de Maria mostra o resultado do deslizamento do dia 18 de fevereiro | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Um dos motivos que fez Maria não renovar o aluguel social da Prefeitura e voltar para sua casa foi a tristeza que ela passou longe da Vila Freitas.

"Eu ficava o dia inteiro sentada e chorando, sem esperança de nada e entrei em depressão. O meu pedaço de chão é aqui e é nesse ambiente que eu quero viver", comenta.

A residência de Maristela Silvestre dos Santos, 42 anos, foi umas das 68 interditadas pela Defesa Civil. Ela se via em um beco sem saída, após praticamente ser obrigada a abandonar seu lar e, consequentemente, seu sustento.

"Não tinhamos como sair e nem onde ir. Eu sou costureira autônoma e dependo daqui, meus filhos estudam nessa região e meu marido também precisa estar aqui para trabalhar", relata.

Porém, após procurar a Assistência Social de Guaramirim e os técnicos da Defesa Civil avisarem que sua casa não corria perigo de desmoronar, ela decidiu continuar do lado da cratera que se abriu na SC-108.

A interdição da rodovia estadual afetou a atuação profissional de seu marido, que trabalha para uma transportadora. Antes os caminhões passavam na frente de sua casa. Agora, ele precisa ir até o Posto Guaramirim, cerca de cinco quilômetros de sua residência, para arranjar serviço.

Prefeitura analisa situação dos moradores

O prefeito de Guaramirim Luís Chiodini afirma que a Defesa Civil está fazendo um levantamento de todas as casas que foram colocados em zona de risco para verificar a liberação destes imóveis.

"Para aqueles que perderam a casa, estamos trabalhando para conseguir casas modulares que seriam instaladas no município e repassadas às famílias", destaca.

Chiodini também explica que os técnicos da Defesa Civil estadual avaliaram a possibilidade de demolição de duas casas localizadas no Morro do Schmidt. "Não tem nada de concreto ainda. Algumas coisas serão definidas somente após conclusão da obra", conclui.

Das 68 famílias que precisaram deixar o local devido ao deslizamento de terra do dia 18 de fevereiro, 38 delas estavam recebendo aluguel social de R$ 690, que expirou em agosto. Cinco famílias decidiram não renovar o benefício e voltaram para a Vila Freitas. Outras 26 vivem em casa de parentes e amigos, além de quatro que não se encaixam para receber o aluguel.

 

 

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