Cento e setenta e sete dias. Esse foi o tempo que levou desde a madrugada do dia 18 de fevereiro deste ano – quando um deslizamento de terra em Guaramirim, às margens da SC-108, deixou 60 famílias desabrigadas – até o início efetivo das obras de recuperação da rodovia, nesta quarta-feira (14).

Por volta das 13h30, com o sol forte brilhando no topo do morro, uma máquina trabalhava no local. Abrindo a mata na margem interna da rodovia, oposta ao ponto do deslizamento, o terreno começava a ser preparado para a ampliação da largura da estrada.

O prefeito de Guaramirim Luís Chiodini (PP), que acompanhava de perto o primeiro dia dos trabalhos de recuperação, explica que a ampliação é necessária para garantir a segurança no trecho, evitando novos deslizamentos.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Trazendo a curva da pista mais para dentro do morro, o peso sobre a margem da rodovia que cedeu, diminui. Além disso, o projeto de recuperação ainda prevê um tipo de obra inédita em Santa Catarina.

Chamado de crib wall, a técnica de contenção utiliza peças de estrutura pré-moldada que se encaixam e se sobrepõem em forma de “fogueiras”, cujo espaço interno é preenchido com pedras.

O muro é composto de concreto, metal ou madeira. Os módulos são preenchidos e criam uma estrutura que exerce a contenção por meio de gravidade.

A intenção do governo do Estado, responsável pela manutenção e recuperação da estrada que faz parte da malha rodoviária estadual, diz que o projeto foi pensado não apenas para restaurar a pista, mas principalmente prevenir novos deslizamentos.

A empresa contratada para executar a obra, de Palhoça, na Grande Florianópolis, deve concluir os trabalhos em cerca de 90 dias.

A ordem de serviço, autorizando o início das obras, foi assinada nesta segunda-feira (12), pelo governador Carlos Moisés da Silva (PSL) em Jaraguá do Sul.

O investimento, de recursos do governo federal, é de R$ 2,1 milhões.

Famílias

O prefeito Luís Chiodini explica que a partir do meio da pista, entre as faixas de rolamento para a frente - em direção aonde o morro deslizou -, a até 100 metros em linha reta, toda a área deverá se tornar de preservação permanente (APP) e será analisada pela Defesa Civil.

"(A área) vai entrar em investigação. As casas que foram soterradas não têm mais volta, independente da metragem dela, por causa do terreno. Agora, as casas que foram danificadas, será depois da obra pronta que vai entrar a Defesa Civil dizendo quem vai poder voltar, e quem não vai”, diz Chiodini.

Nessa região, na encosta do morro por onde passa a rodovia no bairro Vila Freitas, casas foram destruídas e outras ficaram interditadas, levando cerca de 60 famílias a abandonarem o local na ocasião do deslizamento.

Hoje, o prefeito relata que cerca de 40 famílias não puderam retornar às suas casas, sendo que 35 delas têm dependido do aluguel social da Prefeitura para bancar a moradia.

“Temos casas avaliadas em R$ 350 mil que tiveram que sair”, ele conta. Aos poucos, o prefeito espera que as coisas voltem à normalidade.

“Que seja feita logo essa recuperação, que nossos comerciantes possam reabrir o que fecharam, que possam recontratar quem demitiram, porque realmente as perdas para os comerciantes, para os moradores e para nossa região, em termos de impostos, é imensurável”, declara.

Veja mais:

 

Receba as notícias do OCP no seu aplicativo de mensagens favorito:

WhatsApp

Telegram

Facebook Messenger