Você já de se deparou com situações em que se sentiu impulsionado a checar ou verificar algo por mais de uma vez? Apesar de isso ser corriqueiro na nossa vida, existem pessoas que se tornam verdadeiros prisioneiros desses rituais.

Quem nunca deitou a cabeça no travesseiro e pensou, “será que fechei a porta da casa?”, e depois foi até a sala para verificar? Imagine agora viver num “looping” quase sem fim, onde uma pessoa se sente obrigada a repetir isso dez, vinte, trinta, centenas de vezes.

De acordo com o psiquiatra, Dr. Daniel Bittencourt Medeiros, é assim que pessoas com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) se sentem: presas num ciclo infinito de repetições.

Do ponto de vista médico, pode-se classificar os tipos de pensamentos que temos. Quando temos um pensamento repetitivo, chamamos esse pensamento de obsessivo. É aquele tipo de pensamento que fica “grudado” na sua cabeça e você não consegue deixar de pensar nele.

"Nem todo pensamento obsessivo é ruim. As vezes podemos ter pensamentos obsessivos agradáveis, como quando estamos apaixonados, por exemplo. A gente acorda, toma café, almoça e dorme pensando em uma pessoa. E isso não é exatamente desagradável", explica Dr. Daniel.

Entenda os sintomas

Quando fala-se especificamente do TOC, esses pensamentos obsessivos são sempre desagradáveis. A pessoa que sofre desse transtorno não quer pensar sobre determinado assunto ou sobre determinada rotina, mas ela simplesmente não consegue evitar. Além disso, esse pensamento sempre é invasivo. Ou seja, é um tipo de pensamento que parece “entrar” na sua cabeça sem qualquer estímulo externo. Você não se esforça para pensar naquilo e não quer pensar naquilo.

O especialista destaca que, uma vez invadido por um pensamento desagradável (como o exemplo da porta destrancada) a pessoa é tomada por uma angústia ou sintomas de ansiedade. Na grande maioria das vezes, a única forma de aliviar esses pensamentos é ceder a um ato compulsivo. "O ato compulsivo é aquilo que a pessoa faz na tentativa de aliviar o seu pensamento desagradável", alerta.

A pessoa pode sair de sua cama e verificar se a porta está realmente trancada. Esse é o ato compulsivo. Quando faz a verificação há um alívio passageiro daqueles pensamentos desagradáveis. Porém, pouco tempo depois (e as vezes imediatamente) a pessoa volta a ser tomada pelos pensamentos obsessivos (será que realmente tranquei a porta?). "É dessa forma que se instala o ciclo, onde a pessoa fica aprisionada e em grande sofrimento", afirma.

Dr. Daniel pontua que existem várias formas de apresentação do transtorno e esses ciclos ou rituais podem ser os mais variados possíveis. É comum a associação de pessoas organizadas ou extremamente higiênicas com TOC. Apesar dessas características sozinhas não serem suficientes para firmar o diagnóstico de TOC, são traços comuns a algumas pessoas que sofrem dessa doença.

Tratamento

De acordo com o psiquiatra, o tratamento do TOC pode ser medicamentoso ou psicoterápico. O método de psicoterapia preferido para essa doença é a chamada Terapia Cognitiva Comportamental.

Confira algumas cenas de filmes em que os personagens apresentavam sintomas típicos de TOC:

Cena 1:

  • Personagem se sente muito angustiado com o pensamento de ter suas mãos sujas. Repare o sofrimento enquanto ele higieniza suas mãos.

Cena 2:

  • Já no início vemos personagem em um ritual quando abre a porte. Precisa trancar e destrancar várias vezes.
  • Logo depois, ele lava compulsivamente as suas mãos. O uso de água extremamente quente e o descarte de sabonetes recém usados, sugerem pensamentos obsessivos de contaminação.
  • Na sequência ele sai à rua onde além de não tolerar o toque de outras pessoas, precisa andar evitando pisar nas “frestas” das calçadas.
  • Notem que ele chega atrasado no consultório do seu terapeuta. Algo muito comum no toc pois o paciente simplesmente não consegue deixar de cumprir os seus rituais, mesmo que isso lhe custe chegar atrasado a um compromisso. Ainda nessa parte, ele se mostra muito desconfortável ao perceber que o terapeuta mudou os móveis de lugar.
  • Por fim, uma cena que mostra o personagem tentando entrar em uma loja. Ele fica paralisado e não consegue entrar pois o piso da loja é de ladrilhos e ele não conseguiria “deixar de pisar nas frestas”.

 

Sobre o especialista

O psiquiatra Daniel Bittencourt Medeiros (CRM 13797 e RQE 6814) atende no Centro Executivo Jourdan, no Centro de Jaraguá do Sul. Mais informações pelo telefone (47) 3373-8832.