A identificação precoce de problemas de visão em crianças e adolescentes pode ser determinante para o desempenho escolar e o desenvolvimento integral dos estudantes. Com esse objetivo, o projeto “Um novo olhar: mais visão, menos reprovação”, desenvolvido pelo Jaraguá Mais Saudável em parceria com a IDOMED (Instituto de Educação Médica), inicia sua segunda edição em Jaraguá do Sul com uma meta ambiciosa: ampliar o atendimento de 285 para cerca de 5 mil alunos da rede estadual de ensino do município.
A nova fase da iniciativa representa uma expansão significativa em relação ao primeiro ciclo, realizado entre 2024 e 2025, quando duas escolas estaduais participaram do projeto. Na ocasião, foram avaliados todos os 285 estudantes matriculados do 1º ao 5º ano das escolas EEB Alvino Tribess e EEB Elza Granzotto.

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Os resultados evidenciaram a importância da ação. Após as triagens, 21,4% dos alunos da EEB Alvino Tribess e 11% dos estudantes da EEB Elza Granzotto foram encaminhados para consultas oftalmológicas completas. Ao final do processo, 38 crianças, o equivalente a 8% dos estudantes avaliados, receberam diagnóstico de necessidade de correção visual e ganharam óculos gratuitamente por meio da parceria entre instituições e empresas locais.
Além do impacto direto na vida dos alunos, a experiência também gerou resultados acadêmicos. Os dados coletados foram transformados em artigo científico publicado na revista internacional DEDiCA – Revista de Educação e Humanidades, da Universidade de Granada, na Espanha, além de serem apresentados na Jornada Internacional de Iniciação Científica e Extensão Universitária (JIICEU 2024), da Universidade do Porto, em Portugal.
Segundo o professor Antonio Souza Júnior, da IDOMED, a iniciativa demonstrou que problemas visuais podem estar diretamente relacionados às dificuldades de aprendizagem enfrentadas por muitas crianças.
“Na fase do desenvolvimento neuropsicomotor, há forte correlação entre baixo rendimento escolar e problemas de acuidade visual. Muitas crianças não relatam suas dificuldades visuais aos pais ou professores, o que torna a triagem sistemática indispensável”, destaca.
Expansão para toda a rede estadual

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A segunda edição do projeto amplia consideravelmente sua abrangência. Enquanto a primeira fase contemplou duas escolas e estudantes do 1º ao 5º ano, a nova etapa prevê atendimento em 14 escolas estaduais de Jaraguá do Sul, abrangendo alunos do 1º ao 9º ano.
O cronograma prevê a realização das triagens entre junho e outubro de 2026. Os mutirões de consultas oftalmológicas devem ocorrer entre agosto e novembro, enquanto a entrega dos óculos está programada para o período de setembro a dezembro.
Outro avanço importante foi a formalização do apoio institucional ao projeto. A iniciativa recebeu aprovação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), por meio do Termo de Fomento nº 01/2026/CMDCA, o que possibilitou a captação de recursos por meio de incentivos fiscais de empresas parceiras, entre elas WEG, Instituto YDUQS/IDOMED, Lunelli, Agricopel, Posto Náutico Farol e Mime.
O projeto também obteve novo parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa, reforçando o rigor científico da proposta e sua capacidade de gerar dados que possam subsidiar futuras políticas públicas voltadas à saúde ocular infantil.
Problemas de visão afetam aprendizado

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A literatura científica e os dados levantados pelo projeto apontam que dificuldades visuais não diagnosticadas podem comprometer diretamente o desempenho escolar.
De acordo com o estudo desenvolvido pela equipe da IDOMED, erros refrativos não corrigidos são responsáveis por até 69% dos problemas visuais na infância. Entre os estudantes avaliados na primeira edição, o astigmatismo foi a alteração mais frequente, com prevalência de 9,8%, seguido pela hipermetropia (3,5%), anisometropia (2,0%) e miopia (1,6%).
Essas condições, quando não identificadas e tratadas adequadamente, podem resultar em dificuldades de aprendizagem, aumento dos índices de reprovação e até evasão escolar.
Para Antonio Souza Júnior, o acesso ao diagnóstico e à correção visual ainda na infância representa uma oportunidade de evitar prejuízos que podem acompanhar a criança ao longo de sua trajetória educacional.
“Com a detecção precoce e o fornecimento gratuito de óculos, é possível reverter condições tratáveis antes que causem prejuízo permanente ao desenvolvimento educacional e à qualidade de vida biopsicossocial das crianças”, afirma.
Formação prática para futuros médicos

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Além do impacto social, o projeto também desempenha papel importante na formação dos acadêmicos de Medicina da IDOMED.
Na primeira edição, quatro estudantes participaram diretamente da coleta de dados após treinamento e supervisão dos docentes. Para esta nova etapa, a estrutura foi ampliada, com equipes de campo compostas por supervisores e acadêmicos capazes de atender até 1.300 estudantes por equipe.
A participação proporciona vivência prática em ações de saúde coletiva, contato direto com a comunidade escolar, interação com famílias e desenvolvimento de habilidades relacionadas ao trabalho multiprofissional e à pesquisa científica.
Segundo o professor, essa experiência aproxima os futuros médicos da realidade da saúde pública e fortalece uma formação mais humanizada.
“Essa experiência propicia ao acadêmico o contato com triagem em saúde coletiva, comunicação com famílias e comunidade escolar, trabalho multiprofissional e articulação entre pesquisa científica e intervenção social, elementos centrais de uma formação médica humanizada”, ressalta.
Ao final da segunda edição, a expectativa da equipe é construir um panorama inédito sobre a prevalência de problemas visuais entre estudantes da rede estadual de Jaraguá do Sul, produzindo informações que possam orientar futuras ações de saúde pública e ampliar o acesso ao diagnóstico e tratamento oftalmológico na infância.

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