Imagem Ilustrativa | Pexels
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Texto por: Med Sesi

Educação a distância, trabalho remoto, shopstreaming. A pandemia do, já não tão novo, coronavírus acelerou algumas mudanças que já estavam em curso e trouxe outras que vão muito além da tecnologia. Entre elas, a forma como cuidamos da nossa saúde.

Com a saúde pública em crise, a necessidade do autocuidado e da prevenção ficou evidente, transformando também o comportamento das pessoas e a forma como, até então, a maioria se relacionava com a própria saúde e com o sistema como um todo.

Se antes o “normal’ era procurar um médico especialista ou ir para o pronto-socorro quando alguma doença se manifestava, agora, a tendência é fazer o possível para que a doença nem sequer apareça ou, pelo menos, não evolua. Em outras palavras, a pandemia trouxe à tona a importância da Atenção Primária à Saúde.

Atenção Primária à Saúde (APS)

Você já pensou como o estresse, a má alimentação e a falta de exercícios físicos afetam a sua vida? Somando isso às condições genéticas pré-existentes e outros fatores, como os ambientais, parece inevitável que, com o tempo, isso se reflita na nossa saúde e algumas doenças apareçam. Mas com a Atenção Primária é possível inverter essa lógica.

Focada em cuidar da saúde das pessoas e não apenas em tratar doenças, a APS funciona como uma porta de entrada para um serviço integral, acessível e coordenado, onde um profissional, clínico-geral, oferece os primeiros cuidados, e resolve o problema na maioria das vezes, encaminhando para um especialista somente quando necessário. Logo em seguida, uma equipe de saúde, monitorada pelo médico, viabiliza e acompanha cada etapa do atendimento, garantindo que ele seja feito de forma ágil e humanizada.

Baseado nos hábitos e necessidades de cada pessoa, esse serviço abrange desde ações preventivas de promoção da saúde até o tratamento de doenças e cuidados paliativos ou de reabilitação.

Algo parecido com o que o nosso atual sistema tem usado para tentar controlar o avanço da COVID-10, a diferença é que na APS esse olhar não se volta somente para uma doença pandêmica, e sim para a saúde em geral.

Uma estratégia inteligente

De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) Brasil, a Atenção Primária à Saúde pode atender de 80% a 90% das necessidades de saúde de um indivíduo ao longo da vida.

Além disso, a relação custo-benefício é imensa. Segundo o Relatório Fiscais da Saúde no Brasil, publicado pelo Banco Mundial no final de 2018, o gasto total em saúde no Brasil é de cerca de 8% do PIB (somando gastos públicos e privados).

Boa parte dessa verba vai para os hospitais e onerosos tratamentos com doenças. Doenças que poderiam ser prevenidas com cuidados de atenção primária que fariam não só um melhor uso desse dinheiro como também poupariam milhares de pessoas de passar por tratamentos, muitas vezes, dolorosos.

Quando olhamos por uma perspectiva de desenvolvimento econômico e social, a Atenção Primária à Saúde também demonstra uma clara contribuição, uma vez que a saúde impacta diretamente na produtividade dos trabalhadores e melhora a perspectiva de vida das famílias. Durante a pandemia, isso ficou mais claro do que nunca.

Dessa forma, a APS mostra-se como uma alternativa que soma bem-estar e uso inteligente de recursos, tornando possível controlar doenças transmissíveis e identificar e tratar doenças crônicas, como diabetes, câncer e hipertensão, que tanto preocupam e são cada vez mais frequentes.

Os cases pelo mundo

Grande parte dos países com altos índices de desenvolvimento possuem uma relação especial com a Atenção Primária à Saúde, principalmente na Europa, onde ela já não é mais novidade.

No Reino Unido, a atenção primária é a espinha dorsal do sistema de saúde, e os General Practitioners (GPs), que são uma mistura de clínico-geral e médico de família, chegam a representar ¼ do total de médicos do país.

Para evitar que a rede de saúde seja sobrecarregada, no sistema britânico não é possível consultar com uma especialista sem antes passar por um médico generalista, por isso, esses profissionais são extremamente valorizados.

Na Alemanha, a atenção primária à saúde faz parte da tradição e, mesmo não sendo obrigatória a passagem por um generalista - como na Inglaterra, mais da metade dos alemães afirmam ter um médico de confiança.

Na Espanha, a APS é muito bem estruturada. Todos os centros de saúde possuem uma equipe de atenção primária, responsável por atender a população de uma zona específica, oferecendo atividades de promoção da saúde, monitoramento de pacientes crônicos e até atendimento domiciliar.

Na América do Norte, a APS também está presente. No Canadá, para filtrar as admissões hospitalares e o acesso aos especialistas, o contato inicial com o sistema de saúde convencional, na maioria das vezes, fica a cargo dos médicos de atenção primária.

No Brasil, a APS ainda está dando os primeiros passos, mas alguns exemplos já começam a mostrar que o modelo é possível. Na região de Jaraguá do Sul, o SESI Santa Catarina, referência nacional em serviços saúde, já disponibilizou a medSesi, uma clínica de atenção primária com cuidados totalmente voltados à saúde dos trabalhadores da indústria e suas famílias.