Transtorno alimentar é quando ocorrem perturbações no comportamento alimentar que podem levar ao emagrecimento extremo, à obesidade, ou a outros problemas físicos.

De acordo com a psiquiatra, Dra. Andrea Galastri, os principais tipos de transtorno alimentar são a anorexia nervosa e a bulimia nervosa, que têm como características comuns "uma intensa preocupação como o peso e o medo excessivo de engordar, além da percepção distorcida da forma corporal e a auto-avaliação baseada no peso e na forma física".

A anorexia e a bulimia têm uma prevalência maior entre mulheres jovens de países ocidentais.

Anorexia

O aspecto sócio-cultural é um dos principais causadores de transtornos como a anorexia, porém, a especialista destaca que não se deva descartar os fatores biológicos, psicológicos e familiares.

Ela pontua que, "a pressão cultural por manter-se magro, aliada à presença de uma baixa auto-estima, tornam as pessoas mais propensas à desenvolver quadro dessas duas doenças".

Quanto aos aspectos biológicos, o neurotransmissor serotonina pode afetar o apetite, além do humor e o controle dos impulsos.

A anorexia nervosa ocorre predominantemente em meninas e mulheres jovens. O início geralmente ocorre na adolescência e raramente depois dos 40 anos.

Ela explica que existem dois tipos de anorexia nervosa: restritivo, em que os pacientes apenas restringem o consumo de alimentos. E o tipo compulsão alimentar/purgativo, quando os pacientes têm regularmente episódios de compulsão alimentar e induzem vômitos e/ou abusam de laxantes, diuréticos ou enemas.

Sinais e sintomas

Embora abaixo do peso, a maioria dos pacientes está preocupada com sobrepeso ou que áreas específicas do corpo estejam muito gordas. "Muitos pacientes também se exercitam excessivamente para controlar o peso."

Os relatos de distensão e desconforto abdominal e constipação intestinal são comuns. Os pacientes geralmente perdem a libido e podem ter depressão.

Bulimia

É caracterizado por compulsões alimentares periódicas, ou seja, a ingestão de uma grande quantidade de comida em um curto espaço de tempo, seguidas de ações que compensam de forma inadequada a ingestão, como vômitos auto-induzidos, uso inadequado de laxantes ou diuréticos, prática de exercícios em excesso.

Assim como na anorexia, o indivíduo bulímico apresenta uma auto-avaliação baseada na forma física e no peso corporal.

No diagnóstico de Bulimia Nervosa, estes comportamentos devem estar presentes por pelo menos duas vezes por semana, por um período mínimo de três meses.

"Na maioria dos casos, os pacientes ocultam seus comportamentos patológicos da família e das pessoas que as cercam, e muitas vezes se envergonham de seus atos compensatórios", explica.

Tratamento

Dra. Andrea salienta que o tratamento ideal envolve psiquiatra, psicólogo e endocrinologista, já que tanto o vômito frequente quanto o emagrecimento rápido acabam trazendo alterações em todo o metabolismo e nos hormônios que precisam de gorduras para sua produção e bom funcionamento.

São doenças nas quais o paciente normalmente não colabora com o próprio tratamento, e reluta em buscar ajuda. "Quando é criticada pela família em sua maneira de se alimentar o mais comum é que os indivíduos com anorexia ou bulimia se sintam agredidos e mal compreendidos".

Segundo ela, especialmente no início, o paciente pode sabotar o tratamento e não seguir as recomendações da nutricionista, além de interpretar o esforço que profissionais e família têm para seu ganho de peso como algo negativo.

Ela ressalta que, "como a auto estima é muito comprometida a psicoterapia é fundamental para auxiliar nas questões emocionais que envolvem o transtorno, ajudando na busca de um corpo saudável e harmonia consigo mesmo".

Sobre a especialista

A psiquiatra Dra. Andréa Cristina Galastri (CRM 10561 e RQE 5122) atende na rua Amazonas, 227, no centro de Jaraguá do Sul. Informações pelo (47) 3371-7284.