Muito comum em mulheres, principalmente na idade fértil, o melasma apesar de não ter cura, pode e deve ser tratado principalmente no inverno, devido à menor exposição solar.

A Dra. Glauce Gaziri, médica dermatologista, explica que o melasma é uma alteração da pigmentação da pele, que ocorre por disfunção dos melanócitos, que passam a produzir a melanina em quantidade exagerada.

“As células evoluem com alteração do formato, ficam maiores e mais alongadas e com isso, conseguem distribuir o pigmento em maior quantidade atingindo as camadas superficiais (melasma epidérmico), profundas (melasma dérmico) ou de forma mista”, pontua.

O melasma surge como manchas acastanhadas a acinzentadas com formatos irregulares, principalmente na face. Pode ocorrer na região anterior do tronco, no V do decote e braços. Mulheres correspondem a cerca de 90% dos casos. As peles mais morenas e as pessoas de origem asiática são as mais acometidas.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico é feito com o auxílio de luz ultravioleta (lâmpada de Wood) e do dermatoscópio. Segundo a especialista, a avaliação dermatológica é importante, pois nem toda mancha no rosto é melasma.

Causa

Os principais fatores relacionados ao aparecimento do melasma são a genética e as alterações hormonais, como a gestação, uso de anticoncepcional e reposição hormonal. Sofre influência direta pela exposição à radiação solar, UVB, UVA, luz visível e infravermelho.

Uso de medicações fotossensibilizantes, traumas na pele como depilação, fontes de calor como vapor quente e o próprio processo de envelhecimento, pode desencadear ou piorar o quadro.

“De alta prevalência na população mundial, o melasma responde pela terceira causa de consultas ao dermatologista segundo o censo feito pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.”

Apesar de acometer somente a pele, sem maiores prejuízos à saúde, o melasma pode ter impacto na autoestima do paciente, sendo por vezes causa de ansiedade e até mesmo depressão.

Tratamento

Deve-se levar em conta o fototipo, se a pele é sensível, oleosa ou seca, os hábitos e estilo de vida. A pedra fundamental é a fotoproteção, com filtros de alto FPS e amplo espectro, ativos contra UVA, UVB e luz visível.

Reaplicação de protetores no mínimo a cada quatro horas, mesmo se estiver em ambiente fechado, independentemente da estação do ano, com ou sem sol”, ressalta.

Medicamentos podem ser usados para reduzir a formação da melanina, diminuir a distribuição e tentar remover o que já está instalado, porém, a Dra. Glauce alerta que alguns são mais agressivos e podem causar alergias e sensibilidade. Exposição ao sol ou calor durante o uso pode gerar rebote e até piora do melasma.

O princípio ativo mais eficaz é a hidroquinona e sua associação com ácido retinóico e corticoide tópico.

“O uso deve ter acompanhamento e ser limitado ao inverno por um período de três a no máximo seis meses, pois a hidroquinona pode ser tóxica para os melanócitos e desencadear despigmentação, causando manchas brancas irreversíveis em meio às marrons.”

Outros ativos já consagrados: Ácido Kójico, Ácido Fítico, Ácido Azelaico, Ácido Glicólico, Arbutin, Ácido Ascórbico (vitamina C) e Resorcinol. Os mais recentes: Ácido Tranexâmico, Dioico, Thiamidol e Cisteamina.

Há também combinações de princípios ativos, que levam a um efeito mais potente como no produto New Melan, para uso domiciliar e para tratamentos profissionais.

A associação de alguns medicamentos orais pode auxiliar pelo efeito fotoprotetor e antioxidante como Picnogenol, Polypodium leucotomos, Vitamina C, Vitamina E, chá verde, Betacaroteno, luteína, melatonina, Ácido Tranexamico oral.

Procedimentos

  • Microagulhamento e o MMP (Microinfusão de Medicamentos na Pele), que já associa o microagulhamento com drug delivery: Ótimas opções pois ajudam também no rejuvenescimento;
  • Peelings superficiais seriados: boa opção desde que o paciente não tenha hábito de se expor ao sol;
  • LIP (Luz Intensa Pulsada): indicado somente para pacientes que possuem muitos vasinhos em meio ao melasma, porém pode piorar a pigmentação;
  • Laser: apenas os de picosegundos específicos para o clareamento são indicados hoje em dia e de forma leve para não causar inflamação; necessitam de várias sessões e não são definitivos.

“Entender o tratamento e alinhar as expectativas de forma realista é essencial em casos de melasma. Cuidado com promessas milagrosas e tratamentos muito agressivos. Num primeiro momento podem clarear, mas pode ocorrer um rebote com piora da quantidade e intensidade das manchas”, finaliza.

Sobre a especialista

A Dra. Glauce Gaziri (CRM 12069 e RQE 12941) atende na Clínica da Face Gaziri e Carvalho, em Jaraguá do Sul. É especialista em Dermatologia, e atua no diagnóstico de doenças da pele, cabelos e unhas. Também é profissional capacitada para procedimentos como toxina botulínica, preenchimentos e laser.