A cirurgia de catarata é um procedimento que todos terão que realizar um dia na vida. Nascemos com uma lente dentro do olho que vai perdendo transparência ao longo dos anos e tornando-se opacificada.

De acordo com o oftalmologista e retinólogo, Dr. Marcos Martins, o implante da lente intraocular é um passo de toda cirurgia de catarata em olhos saudáveis e sem complicações operatórias. É feita logo após a aspiração dos últimos resquícios da catarata e na mesma microincisão.

“As lentes são cristalinos artificiais extremamente flexíveis e penetram dentro do olho através de uma seringa com uma cânula própria. São literalmente injetadas dentro do olho como uma injeção. O paciente não tem acesso à ela, diferentemente da lente de contato que é colocada sobre a córnea, por fora do olho”, explica.

Ela não altera a cor do olho e não é percebida por fora para quem olha para o rosto operado. As raras contraindicações são baseadas na presença de complicações cirúrgicas ou patologias oculares específicas identificadas pelo cirurgião.

Escolha da lente ideal para cada pessoa

Segundo o especialista, o médico tem o dever de deter o conhecimento completo para o cálculo mais acurado da lente e disponibilizar as opções e informações para o paciente poder fazer a melhor escolha.

As lentes esféricas ou asféricas corrigem a miopia e hipermetropia de forma satisfatória. Porém, se o paciente apresenta astigmatismo corneano, que é bastante comum, é muito recomendável o implante da lente tórica para correção desse grau.

“Essas lentes garantem uma correção da visão para longe de forma satisfatória em 85% e com possibilidade de poder renovar a carteira de motorista sem necessidade de óculos, podendo chegar a mais de 95% com implante de lentes para correção do astigmatismo”, complementa.

Porém, ele ressalta que os paciente que implantarem essas lentes devem estar cientes que os óculos para perto continuam sendo necessários em mais de 50% dos casos.

O paciente pode desejar o implante das lentes multifocais para ter visão de longe, intermediário e perto. Existem várias formas de como essas últimas lentes dividem a luz permitindo o foco em várias distâncias.

O ofltamologista destaca que a tecnologia dessas lentes avançou muito e o grau de satisfação é bastante elevado.
Os pacientes atinge a capacidade de visão para longe, computador e e leitura com muita facilidade mas como a luz e a imagem são divididas para permitir uma visão em várias posições, o paciente vai perceber a necessidade de luz acesa para a leitura e um aumento do ofuscamento do farol dos carros ao dirigir à noite.

“Lembramos que um olho bem lubrificado é essencial para permitir uma visão refinada e, portanto, aconselhamos o uso de colírios lubrificantes após a cirurgia de catarata”, pontua.

Foto Matheus Wittkowski

Cirurgias pelo SUS

Aos pacientes que irão fazer a cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou utilizar as lentes que o plano de saúde disponibiliza, fica limitado à disponibilidade das lentes de acordo com o serviço que em que a cirurgia será feita, porém as lentes de melhor qualidade não ficam disponíveis.

De acordo com o Dr. Marcos, o fator preço muitas vezes é um determinante na hora de escolher as lentes intraoculares e deve ser conversado com o cirurgião. “Observamos que os óculos muitas vezes são trocados a cada dois ou três anos, enquanto a lente fica definitiva dentro do olho e não perde a transparência.”

Ele enfatiza que apesar de todos os avanços, hoje não há uma lente intraocular perfeita, pois os modelos têm vantagens e desvantagens. Porém, um bom cirurgião identifica em cada caso a melhor opção de lente.

Cuidados necessários

É necessário fazer a higiene, não apertar ou coçar os olhos, não estar exposto a ambientes com muito pó ou sujeira, usar os colírios do pós-operatórios e seguir as demais orientações médicas.

“Vale lembrar que a microcirurgia de catarata é sim um procedimento seguro, mas sempre é bom salientarmos que toda cirurgia acarreta algum risco”, finaliza.

Sobre o especialista

O Dr. Marcos Henrique S. Martins (CRM 19639 e RQE 11168) atende no Centro Oftalmológico Jaraguá do Sul - Unidade Sadalla Amin Ghanem. É Oftalmologista Retinólogo formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora, com residência médica em Oftalmologia (2008) e Fellowship em Retina e Vitreo (2010), ambos pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Também é membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, da Sociedade Brasileira de Retina e Vitreo e certificado pelo International Council Ophthalmology.