O TDHA (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) é um distúrbio do neurodesenvolvimento humano de causa multifatorial, ou seja, origem genética e ambiental que afeta cerca de 5% de crianças em diversas regiões do mundo. De acordo com a pediatra Dra. Ana Cecília Medeiros Mano Azevedo cerca de metade das crianças afetadas permanecem com sintomas na vida adulta, embora com menor componente de hiperatividade.

"Tanto meninos quanto meninas são acometidos com igual frequência, mas, na prática clínica, acabamos vendo mais meninos com diagnóstico já que nestes, o componente de hiperatividade, impulsividade e agressividade são mais evidentes. Nesse contexto é preciso prestar atenção para não deixar passar meninas com esse transtorno que também devem ser tratadas e acompanhadas", explica a especialista.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, baseado no padrão de comportamento, mas há testes específicos que devem ser aplicados por um profissional qualificado (neuropsicólogo, por exemplo) que possuem critérios mais objetivos. Pacientes com TDHA, normalmente são crianças agitadas, impulsivas, com dificuldade em seguir orientações e limites, e desatentas.

"Você deve estar pensando: "todas são assim!" e a resposta é sim e não. As crianças podem ter esse tipo de comportamento por diversos fatores e não ter o TDHA mas, no transtorno, esses sintomas e sinais são mais intensos e prejudicam a vida familiar, social e/ou escolar das crianças", ressalta Dra. Ana.

Crianças que são hiperativas somente em casa ou somente com determinados familiares ou situações não devem ter TDHA por definição. Alguns podem ter o componente de desatenção mais evidente, como muitas meninas, o que acaba atrasando o diagnóstico pois são “crianças tranquilas” que “não incomodam”, mas que não vão bem na escola e tem prejuízo social e familiar (esquecem o que precisam fazer, se distraem e não cumprem orientações etc).

Foto: Matheus Wittkowski | OCP News

Tratamento

O tratamento deve ser multiprofissional. A Dra. Ana pontua que apenas uma minoria destas crianças precisa de medicação e se sabe que, mesmo para aquelas que precisam, a terapia conjunta é imprescindível para uma melhor evolução. "Não há solução mágica ou medicação mágica, mas o esforço conjunto entre criança, profissional e família fazem muita diferença", destaca.

Ela ainda complementa que fatores nutricionais como ingestão de alimentos muito ricos em carboidratos ou multiprocessados também pioram os sintomas, assim como a exposição errada ou excessiva a telas que deve ser limitada a todas as crianças e especialmente aquelas com distúrbio de neurodesenvolvimento.

"É importante também considerar que podem haver causas orgânicas que estejam induzindo ou piorando os sintomas como deficiências específicas de vitaminas ou oligoelementos essenciais, ou até problemas no funcionamento da tireoide ou hipófise que devem ser investigados pelo pediatra da criança", enaltece.

Dica da Dra. Ana

Há diversos livros interessantes para quem gostaria de saber mais. No Mundo da Lua, de Paulo Matos; e Mentes Inquietas, de Ana Beatriz Barbosa Silva, são alguns exemplos. Há também a Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA) que fornece apoio e informações importantes às famílias.

Sobre a especialista

A Dra. Ana Cecília Medeiros Mano Azevedo é médica pediatra com Mestrado e Doutorado na área de Genética Médica pela UFRGS. Atende em Jaraguá do Sul na Clínica Crescer - espaço multidisciplinar. Contato: (47) 3058-2897.